Aprovação de Dilma segue alta porque “faxina” fez governo ganhar batalha da comunicação – mas inflação preocupa

Aprovação de Dilma segue alta porque “faxina” fez governo ganhar batalha da comunicação – mas inflação preocupa

Jose Roberto de Toledo

30 de setembro de 2011 | 18h04

A aprovação do governo de Dilma Rousseff oscilou dentro da margem de erro da pesquisa CNI/Ibope, mas a repercussão majoritária na imprensa foi que ela cresceu de 48% para 51% -e é essa versão que acaba valendo. É mais uma notícia positiva para um noticiário que passou a ser visto como mais favorável (27%) do que desfavorável (21%) à presidente nos últimos meses.

A variação não caracteriza crescimento porque a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Em julho, os 48% de ótimo+bom poderiam ser tanto 46% quanto 50%. E os 51% de agora podem ser 49% ou 53%. Só dá para falar em crescimento quando o limite máximo da margem de erro da pesquisa anterior supera o mínimo da atual.

Dilma está surfando uma onda positiva que começou com o que a oposição imaginou que seria o começo do fim da popularidade da presidente: a sequência de demissões de ministros por suspeita de corrupção. O que a pesquisa Ibope/CNI mostra é que a versão da “faxina” superou a do “mar de corrupção”. Dilma percebeu isso logo e só parou de demitir quando as reações da dita base aliada ficaram fortes demais.

O efeito positivo do uso da vassoura no ministério pode explicar o aumento da popularidade da presidente nas regiões Sul e Sudeste, mais sensíveis ao discurso anti-corrupção e onde a oposição costuma ter mais força.

O governo ganhou a batalha de comunicação das demissões em série de ministros (os números da CNI/Ibope desaconselham falar em “crise”), mas o principal indicador de que a guerra de popularidade ainda está sendo travada permanece inalterado. Seu desempenho no combate à inflação segue tão desaprovado quanto três meses atrás (55% a 56%). Isso se explica pelo fato de que 68% dos brasileiros acreditam que a inflação vai aumentar.

As pessoas sabem e comentam que os preços estão muito altos (quinta notícia mais citada espontaneamente), isso se reflete em um nível de

do que o de um ano atrás. Mas esse indicador ainda é apenas um sinal amarelo, de alerta. A preocupação com a inflação não se transformou em perda notável de poder de compra da população (só 13% acham que vão poder comprar menos bens de alto valor), e por isso a popularidade de Dilma segue alta.

O corte da taxa básica de juros pode ajudar Dilma a mantê-la assim. Apesar de 59% ainda desaprovarem a política de juros estratosféricos do governo, a desaprovação oscilou menos 4 pontos desde julho. Se o Banco Central, como prevê o mercado e quer o governo, continuar reduzindo a taxa, Dilma poderá faturar com o efeito da medida -pelo menos no curto prazo.

Embora 55% achem os governos Dilma e Lula iguais, essa impressão diminui com o tempo: era de 64% em março, caiu para 57% em julho e chegou a 55% agora. Dilma herdou grande parte da popularidade do ex-presidente, mas a comparação direta lhe é desfavorável: 26% acham o governo Lula melhor contra 15% que preferem o seu.

Há uma grande diferença de intensidade na aprovação de ambos. O governo Dilma é considerado “ótimo” por apenas 7% dos brasileiros. A maior parte (44%) o caracteriza como “bom”. Lula terminou a sua gestão com 26% de “ótimo” e 54% de “bom”. É um dos raros casos em que um presidente saiu do governo para entrar na mitologia.

Há indícios na pesquisa Ibope/CNI, ainda a serem confirmados, de que Dilma começou a se diferenciar muito lentamente do seu patrono aos olhos da opinião pública. E que, por enquanto, isso não a atrapalhou. Sua aprovação pessoal (71%) e confiança da população (68%) seguem altos.

Veja o relatório da pesquisa Ibope/CNI.