Alta homogênea de Dilma diminui divisão no País, mostra Ibope

Jose Roberto de Toledo

23 de outubro de 2014 | 19h13

O movimento do eleitorado em direção à candidatura de Dilma Rousseff (PT) ao longo da última semana foi homogêneo: ela cresceu em quase todos os segmentos demográficos e em quase todas as regiões. Além de diminuir a divisão geográfica e social do eleitorado, é sinal de que o crescimento da petista é consistente. As pesquisas Datafolha feitas entre uma e outra sondagem do Ibope apontaram na mesma direção: foi um movimento contínuo pró-Dilma, denotando uma tendência do eleitorado.

Para além dos oito pontos de vantagem da petista, é essa tendência que transforma a presidente em favorita para ser reeleita no domingo. Não são apenas números. Mais eleitores acham isso: 51% dizem que Dilma será a próxima presidente (cresceu 4 pontos), contra 39% que apostam em Aécio (perdeu 3).

Dilma só perderá o favoritismo na hipótese de a pesquisa Ibope a ser divulgada no sábado mostrar uma interrupção dessa tendência a favor da presidente. Essa possibilidade, mesmo que pequena, sempre existe. Há debate entre Dilma e Aécio na noite de sexta-feira na TV Globo. Além disso, a oposição continua em busca – como em toda campanha – de uma “bala de prata” contra a rival.

O fato apontado pelo Ibope de Dilma ter empatado com Aécio entre os eleitores que estudaram até o Ensino Médio e no Sul, por exemplo, também diminui o risco de ela perder votos por causa da abstenção e do erro do eleitor ao votar.

A abstenção sempre aumentou entre o primeiro e o segundo turno na eleição presidencial desde 2002. Esse fenômeno ocorre principalmente em Estados onde o eleitor tem mais dificuldade de chegar ao local de votação, pela distância ou falta de transporte público. São Estados onde Dilma foi melhor do que Aécio no primeiro turno, nas regiões Norte e Nordeste.

Com Dilma crescendo no Sul e no Centro-Oeste, o risco de eleitores de Dilma deixarem de sufragá-la por se absterem de votar fica mais diluído. E o aumento da sua intenção de voto entre eleitores com maior grau de escolaridade também diminui a probabilidade de ela perder votos para branco e nulo.

Causa ou consequência, a avaliação do governo Dilma vem melhorando desde que a campanha começou na TV. Em meados de julho, ela tinha só 31% de ótimo e bom. Agora, chegou a 45%. É mais uma prova de que a propaganda eleitoral ainda funciona.

Embora todos os resultados dessa pesquisa Ibope apontem favoritismo para a presidente, é sempre bom lembrar que esta campanha foi a mais afetada por reviravoltas em 25 anos de eleições presidenciais. O eleitor está cada vez mais volátil e demorando mais para escolher definitivamente seu candidato. Por tudo isso, melhor deixar as previsões e apostas para a Bovespa.

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