Adiamento ad eternum

Jose Roberto de Toledo

04 de julho de 2013 | 15h50

Em politiquês, o verbo “adiar” é intransitivo. Não requer complemento porque tem sentido completo: dançou, morreu, acabou. Assim deve ser lida a decisão do Congresso de adiar a reforma política “para 2014”. A parte final da frase é ornamental.

Em resposta às palavras de ordem, cartazes e pedras dos manifestantes, os congressistas cederam alguns anéis – PEC 37, corrupção como crime hediondo – para não perder a mão invisível que mantém o status quo da política.

O argumento é que como supostamente não daria tempo de fazer o plebiscito até outubro – para as mudanças aprovadas valerem nas eleições de 2014 – melhor não fazê-lo este ano. Por que? Para não frustrar o eleitor. Ou seja, o Congresso antevê mudanças. Sabe o que o eleitor quer. Só não está disposto a atendê-lo.

Brincam com fogo de coquetel molotov.

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