50 tuítes sobre a vida nas favelas brasileiras

Jose Roberto de Toledo

21 de dezembro de 2011 | 10h00

Grandes números

* O IBGE identificou 6.329 aglomerados subnormais, onde estão 5,6% dos domicílios e onde vive 6% da população brasileira.

* Aglomerado subnormal: + de 50 habitações, carentes de serviços essenciais, ocupando desordenada e densamente terreno de propriedade alheia.

* 323 municípios brasileiros têm favelas, grotas, palafitas, invasões, mocambos, ou o nome local que se use para aglomerados subnormais.

* O Brasil tem um Portugal de favelados: 11,4 milhões de pessoas.

 

Os favelados

* Há duas vezes mais chances de um brasileiro negro ser favelado do que um branco.

* Dois em cada três favelados são negros.

* A taxa de analfabetismo da população favelada é 55% maior do que a da população urbana não-favelada.

* A taxa de analfabetismo da população favelada é 31% menor do que a da população rural.

* O rendimento mediano da população favelada é 27,5% menor, em média, do que o da população urbana não favelada.

* O rendimento mediano da população favelada é 3 vezes maior, em média, do que o da população rural.

* Nas favelas brasileiras, 79% dos moradores vivem com uma renda mensal per capita de até 1 salário mínimo.

* A proporção de favelados vivendo com até 1 salário mínimo é 55% mais alta do que na população urbana não-favelada.

* A população brasileira favelada é, proporcionalmente, mais jovem do que a não-favelada.

 

Distribuição regional

* Há mais favelados no Sudeste do que no Norte e no Nordeste somados.

* A favelização é mais grave no Norte (12% da população), no Sudeste (7%) e no Nordeste (6%) do que no Sul (2%) e Centro-Oeste (1,5%).

* Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo reúnem metade dos brasileiros vivendo em favelas.

* 1 em cada 4 favelados brasileiros mora no estado de São Paulo.

* O Pará é o estado com maior taxa de população favelada: 17,4%, ou 1,267 milhão de pessoas.

* Goiás tem a menor proporção de favelados pelos critérios do IBGE: só 0,1% da população, ou 8.823 pessoas -metade, por causa de Brasília.

 

A favelização das metrópoles

* Destino de sucessivas ondas migratórias, as regiões metropolitanas concentram a maioria da população favelada brasileira.

* Apenas três regiões metropolitanas concentram quase metade (44%) dos domicílios favelados do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro e Belém.

* Na maior parte das vezes, o município que é o núcleo da região metropolitana concentra a maioria da população favelada.

* Na Região Metropolitana de Salvador, 95% dos domicílios favelados estão na própria capital. Na Grande Natal (RN), 100%.

* As únicas regiões metropolitanas onde a maioria da população favelada mora nas cidades do entorno são Baixada Santista, Vitória e Recife.

* A metrópole com maior proporção de moradores vivendo em favelas é a Grande Belém: 54% da população.

* A metrópole com mais gente morando em favelas é a Grande São Paulo: 2,162 milhões de pessoas, ou 11% da população.

* Quanto maior e mais densa, pior tende a ser a qualidade de vida na favela, principalmente pela dificuldade de circulação do ar.

* 88% dos domicílios localizados em favelas estão em regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes.

 

O ranking das cidades

* Se as favelas estivessem reunidas em um só lugar, formariam a maior cidade brasileira -maior até do que São Paulo.

* O Rio de Janeiro é a cidade com maior população favelada do Brasil: 1,393 milhão de pessoas, vivendo em 763 aglomerados subnormais.

* A taxa de favelização carioca, de 22%, é o dobro da de São Paulo, que tem 1,280 milhão de favelados, ou 11% de sua população.

* A cidade com maior proporção de favelados no Brasil é Marituba, na Grande Belém (PA): 77 em cada 100 moradores.

* A maior proporção de população favelada entre as cidades paulistas está em Cubatão, na Baixada Santista: 42%, ou 49 mil pessoas.

* A população favelada da cidade do Rio de Janeiro forma, sozinha, a 11ª cidade brasileira, à frente de Belém.

* Em Belém (PA), 9 em cada 10 favelas têm mais de mil domicílios.

* Nenhuma outra cidade paulista é mais populosa do que a soma dos moradores das 1.020 favelas paulistanas.

* Em regra, as favelas paulistanas diferem muito das do Rio de Janeiro por serem menores, dispersas e periféricas.

* A maior predominância de favelas é em cidades costeiras ou ribeirinhas.

* Os barracos mais apinhados estão no Norte. Em três cidades, a média supera 6 pessoas por domicílio: Amapá, Guajará e Santo Antonio do Içá.

 

O ranking das favelas

* A Rocinha, no Rio de Janeiro, é a maior favela do Brasil, com 69.161 moradores. Seria a 35ª mais populosa cidade fluminense. Tem UPP.

* A 2ª maior favela do Brasil fica em Brasília. Com 56.483 moradores, é a Sol Nascente, junto à cidade-satélite de Ceilândia.

* Como em Brasília tudo vira sigla, a favela é oficialmente chamada de ARIS (área de regularização de interesse social) Sol Nascente.

* A 3ª maior favela do Brasil fica também no Rio: é a Rio das Pedras, entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Tem 54.793 moradores e milícia.

* Com 42.826 moradores, Paraisópolis é a maior favela paulistana, pelos critérios do IBGE. Estaria em 146º entre 645 cidades paulistas.

* Se fosse somada às favelas adjacentes (Panorama 1 e 2), Paraisópolis ultrapassaria 55 mil moradores e seria a 114ª cidade paulista.

 

Desmistificando a favela

* Viver em favela significa ter energia elétrica (99,7% dos domicílios), água encanada (88%), esgoto adequado (67%) e coleta de lixo (95%).

* Apenas 1% dos domicílios em favelas no Brasil não tem banheiro ou sanitário.

* Apesar dos problemas urbanísticos, pobreza e violência, moradores de favelas têm mais saneamento e eletricidade do que muitas áreas rurais.

* Em 599 favelas (9,5%), todas as habitações têm todos os serviços essenciais: água encanada, esgoto ou fossa séptica, lixo recolhido e luz.

* Em Campo Belo (MG), Nova Friburgo (RJ), Martinópolis (SP), Tabatinga (SP) e Jataizinho (PR) todos os favelados têm 100% de serviços.

Leia reportagem do Estado sobre as favelas brasileiras.

Interaja com o infográfico.

Assista ao vídeo.

Todas as informações acima foram extraídas do

Documento

sobre o Censo 2010 chamado “Aglomerados subnormais – primeiro resultados”, divulgado nesta quarta-feira.

 

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