Tucanos e comunicação pautaram ‘recuo do recuo’ de Temer sobre reforma

Vera Magalhães

07 de setembro de 2016 | 08h30

A pressão do PSDB e a estratégia de comunicação do governo pautaram a decisão de Michel Temer de “recuar do recuo” e manter o envio da reforma da Previdência ao Congresso antes das eleições.

Temer bateu o martelo ao voltar da viagem à China, e a decisão foi consolidada em reunião entre o coordenador político do governo, Geddel Vieira Lima — que foi voto vencido na discussão, já que defendia abertamente que o projeto só fosse encaminhado após o pleito — e o presidente do PSDB, Aécio Neves.

Os responsáveis pela comunicação do governo alertaram Temer de que ele havia anunciado publicamente o compromisso de enviar a reforma antes da eleição, e que uma mudança em algo tão sensível quebraria uma expectativa importante do mercado.

“Teria um simbolismo importante, porque ele já tinha dito que ia mandar”, explicou Geddel nesta manhã.

A decisão pegou de surpresa e contrariou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, um dos principais defensores de que o encaminhamento da reforma fosse postergado para não contaminar o pleito nem desagradar os deputados envolvidos nas campanhas.

Maia não foi comunicado previamente da decisão de manter o cronograma anterior. Ele disse nesta manhã que pretende esperar para medir o impacto da antecipação do tema espinhoso entre os deputados e que, só então, vai montar o cronograma de tramitação da medida na Casa — que deverá ser num ritmo mais lento que o agora definido pelo governo.

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