Serra diz a Temer que seu problema de coluna é incapacitante

Vera Magalhães

22 de fevereiro de 2017 | 21h44

Na conversa que teve com o presidente Michel Temer nesta quarta-feira, em que pediu demissão do cargo de ministro das Relações Exteriores, José Serra disse que o problema que está tratando na coluna é, por ora, “incapacitante” para que ele cumpra as atribuições da pasta.

O tucano terá de se submeter a um tratamento cuja duração é estimada em quatro meses. Os médicos recomendaram que ele ficasse em São Paulo durante toda a duração do tratamento, mas ele afirmou que vai reassumir o mandato de senador “pois não aguenta ficar parado”. 

Segundo Serra narrou para Temer, a cirurgia a que ele se submeteu em dezembro não foi completamente bem-sucedida. Se ele fizer viagens longas existiria um risco de lesão na medula, de acordo com o tucano.

Como havia várias viagens longas previstas para os próximos meses como chanceler, Serra disse ao presidente que não havia como permanecer no cargo.

Nos últimos meses, amigos de Serra relatavam que o tucano estava muito “angustiado” com o fato de ter seu nome citado entre as delações da Lava Jato. Auxiliares de Temer negam que a esperada citação de seu nome nas delações da Odebrecht tenha sido um dos motivos da demissão, mas correligionários do tucano afirmam que isso também “pesou” na decisão.

Como senador, Serra mantém o foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal caso venha a ser investigado na Lava Jato, o que ainda não é.

Em jantar há duas semanas na casa do ministro Gilberto Kassab (Comunicações), Serra chamou a atenção dos demais convidados por estar bastante debilitado. Os fortes medicamentos deixavam o ex-ministro meio “aéreo”, nas palavras de um dos presentes. Além disso, ele apresentava dificuldade de audição.

Às voltas com a procura por um ministro da Justiça, Temer agora tem de encontrar dois ministros. O Itamaraty deve ficar com um político. O secretário-geral de Relações Exteriores, Marcos Galvão, vai assumir o posto interinamente.

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