Saída de juiz auxiliar é revés para Lava Jato no STF

Vera Magalhães

01 de fevereiro de 2017 | 10h11

O pedido do juiz Márcio Schiefler Fontes, que atuava como auxiliar no gabinete de Teori Zavascki e coordenava a equipe encarregada de ajudá-lo na Lava Jato, para sair da corte pegou de surpresa os ministros e os procuradores da República que atuam na operação.

Schiefler era considerado a “memória viva” da Lava Jato no Supremo, essencial para que não houvesse solução de continuidade nos trabalhos enquanto o novo relator se inteira dos inquéritos e denúncias que herdará.

Eram três os juízes auxiliares de Teori na missão de cuidar dos processos concernentes a políticos com foro no STF envolvidos nas diversas fases do petrolão: além de Schiefler, que era o chefe da equipe, Paulo Marcos de Farias, que também atuava na Lava Jato em tempo integral, e Hugo Sinvaldo da Gama Filho, que também se dedicava a outros processos.

Schiefler alegou questões de ordem pessoal para se desligar do Supremo e voltar para Santa Catarina, onde atua. Ele já havia cogitado sair mesmo antes da morte de Teori, com quem trabalhava desde 2014, mas foi convencido a ficar depois do acidente até a conclusão das audiências preliminares à homologação das 77 delações da Odebrecht.

Segundo procuradores, era ele o interlocutor da PGR para o andamento de pedidos ligados à operação. É descrito como um juiz extremamente técnico e quem atuou com ele destaca o fato de ter “na cabeça” o andamento de todos os inquéritos e o arquivo do que foi feito até aqui.

A presidente do STF, Cármen Lúcia, ainda tentou dissuadir o juiz auxiliar da ideia de se afastar numa conversa na noite de terça, mas ele se mostrou decidido.

Agora, o novo relator deve “herdar” os demais auxiliares de Teori e designar mais um juiz para a tarefa. Pode tanto ser alguém que já atue no gabinete do “sorteado” ou um juiz requisitado especialmente para a Lava Jato.

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