PMDB reage a avanço tucano e ‘fecha’ portas da Justiça

Vera Magalhães

07 de fevereiro de 2017 | 18h09

“É melhor chamar logo o Fernando Henrique Cardoso para assumir a Presidência.” Com essa frase, mais direta impossível, um dos principais caciques peemedebistas reagiu à possibilidade de um tucano, como Antonio Anastasia ou Aloysio Nunes Ferreira, assumir o Ministério da Justiça com a saída de Alexandre de Moraes — também ele filiado ao PSDB.

Os peemedebistas contabilizam os avanços tucanos sobre postos estratégicos de Brasília nos últimos dias: levaram a Secretaria de Governo, com Antonio Imbassahy, colocaram um representante no Supremo Tribunal Federal e terão a vice-presidência e a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Todos os postos, raciocinam os próceres do partido de Michel Temer, foram conseguidos graças à benevolência do próprio PMDB. Agora, com a Justiça, a ordem é fechar as comportas.

Os ocupantes do Palácio do Planalto já dão como certo que o futuro ministro terá de ter a bênção do PMDB. A briga agora acontece entre as bancadas da Câmara e do Senado: igualmente enrolados na Lava Jato, deputados e senadores querem ter um posto avançado na pasta que comanda a Polícia Federal.

Temer vai tentar conciliar o perfil técnico da pasta — que foi reforçada na semana passada ao passar a se chamar de Justiça e Segurança Pública — e a aceitação política do indicado.

O desejo do presidente é não indicar diretamente nenhum congressista, mas submeter o nome ao crivo da cúpula partidária.

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