Para Ministério Público, ação da PF na Carne Fraca dá munição a detratores da Lava Jato

Vera Magalhães

23 Março 2017 | 08h54

Causou extremo desconforto no Ministério Público Federal a forma como a Polícia Federal tornou pública a operação Carne Fraca, na semana passada. Para procuradores diretamente responsáveis pela Lava Jato ouvidos pelo Broadcast, erros e exageros cometidos pela PF dão munição àqueles que procuram um pretexto para apontar exageros das autoridades na condução das investigações do petrolão.

O fato de a Carne Fraca também ser conduzida pela PF do Paraná, que integra a Lava Jato, aumentou o mal estar. “Pode reparar que nossos colegas do MPF estão na deles, quietos nessa operação da carne”, observou um procurador da República.

Segundo os procuradores, uma das evidências de que o estardalhaço na divulgação do escândalo da carne — principalmente, segundo os procuradores, no momento de determinar o grau de envolvimento do setor e os verdadeiros riscos à saúde pública — será usado como pretexto foi a imediata retomada, pelo Senado, da discussão de uma lei que coíba abuso de autoridade.

Esse projeto, defendido pelo PMDB e por outros partidos e que voltará a ser apreciado em toque de caixa, é visto pelo Judiciário e pelo Ministério Público como uma tentativa de intimidar essas instituições.

A operação Carne Fraca sofreu reparos também por parte de agentes e peritos da própria corporação.

Os procuradores dizem que ela foi deflagrada especificamente no dia 17 como uma forma de “marcar” o aniversário de três anos da Lava Jato anunciando a “maior operação da história” da PF — outra associação que irritou as outras pontas da força-tarefa.

O trabalho do Ministério Público, daqui por diante, será dissociar as duas investigações.