Doria avalia custo político de reajustar tarifa de ônibus

Vera Magalhães

18 de novembro de 2016 | 08h45

Aliados do prefeito eleito João Doria Jr. confirmaram a existência de estudos técnicos mostrando que o impacto do congelamento da tarifa de ônibus no primeiro ano da gestão supera R$ 1 bilhão, mas dizem que, por ora, o tucano está disposto a manter a promessa feita na campanha e reiterada mesmo depois de sua eleição.

Segundo esses auxiliares, o preço político de descumprir a principal promessa de campanha logo ao assumir seria muito maior que o de ter de segurar outros gastos para bancar um subsídio maior às passagens.

Isso porque Doria foi muito taxativo nos debates, na propaganda eleitoral e em entrevistas em rádio e TV. Ou seja: a oposição terá farto material para acusar o novo prefeito de mentir, num tema que atinge diretamente milhões de paulistanos e de facílima compreensão.

Mais: foi justamente o reajuste das tarifas que iniciou a trajetória de impopularidade de Fernando Haddad e deu origem aos protestos, que depois se nacionalizaram, de 2013. Tudo que aliados de Doria aconselham é que ele, que chegou à prefeitura com o discurso da gestão eficiente, não dê margem a começar seu mandato sitiado por manifestações e quebradeira nas ruas.

Assim, o mais provável é que Doria mantenha o congelamento prometido e, depois dos cem primeiros dias, faça um balanço no qual aponte o alto custo do subsídio para a prefeitura e anuncie um horizonte para que, se não houver entrada extra de receitas — as pedidas pela União ou as resultantes de medidas para aumento de concessão ou venda de ativos da prefeitura –, aí sim haja um reajuste parcial, abaixo dos R$ 4,44 projetados.

 

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