Decisões de Gilmar colocam juiz em risco, diz Deltan

Vera Magalhães

26 Agosto 2017 | 13h08

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, disse neste sábado que as decisões do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de revogar a prisão preventiva de investigados por envolvimento na máfia dos transportes no Rio de Janeiro colocam em risco autoridades responsáveis pela investigação, entre eles o juiz federal Marcelo Bretas.

“Numa cidade dominada pelo crime organizado, conceder liberdade a pessoas investigadas por integrar uma máfia, sendo que escutas mostram esses investigados fazendo ameaças de morte a outras pessoas, significa colocar em risco a integridade física das autoridades que conduzem as investigações”, afirmou Dallagnol com exclusividade à Broadcast, depois de proferir palestra e conceder entrevista coletiva no congresso internacional da B3, em Campos do Jordão.

Dallagnol se referiu em seguida a um risco direto ao juiz Bretas, que determinou as prisões depois revogadas por Mendes.

Habeas corpus concedido na quinta-feira por Mendes levou à soltura de Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, no Rio. Também foram soltos por decisão do ministro outros investigados na Operação Ponto Final, deflagrada em junho como desdobramento da Lava Jato e que investiga desvios calculados em R$ 260 milhões no setor de transportes no Rio de Janeiro.

Onofre foi flagrado em escutas telefônicas ameaçando outros investigados no grupo e suas famílias.

O juiz Marcelo Bretas e Gilmar Mendes travaram uma espécie de queda de braço. Bretas chegou a decretar a prisão de acusados no escândalo depois de habeas corpus do ministro, que tornou a determinar sua soltura. Diante do pedido do Ministério Público para que Onofre não fosse solto, Bretas encaminhou ofício a Mendes questionando como deveria proceder. O ministro, por sua vez, reiterou que a prerrogativa de decidir seguia com a primeira instância.