Aposentado, Mercadante planeja candidatura a deputado

Vera Magalhães

20 de fevereiro de 2017 | 17h20

Por onde anda Aloizio Mercadante? A pergunta, comum em rodas de jornalistas e políticos desde o impeachment de Dilma Rousseff, foi uma das mais repetidas nesta segunda-feira diante da notícia de que a Polícia Federal recomendou, em relatório, o indiciamento do ex-ministro da Casa Civil por tráfico de influência e tentativa de obstrução de Justiça.

O delegado Marlon Oliveira Cajado viu materialidade suficiente nas gravações feitas por José Eduardo Marzagão, ex-assessor de imprensa de Delcídio do Amaral, de que Mercadante tentou impedir que o senador cassado fizesse delação premiada, prometendo “ajuda” e interferência junto ao presidente do Senado, Renan Calheiros, e ao STF.

Para o delegado da PF, os conteúdos das gravações são “reveladores” do envolvimento de Mercadante.

Recolhido desde o impeachmnent, Mercadante solicitou e recebeu, em julho do ano passado, aposentadoria, aos 62 anos. Ele juntou seus mandatos como senador e deputado e o período como professor na Unicamp, e recebe mensalmente R$ 15.400.

O ex-ministro tem se revezado entre São Paulo, onde reside sua família, e Brasília, onde se dedica a montar uma fundação de estudos em Educação juntamente com dois ex-assessores, Luiz Claudio Costa e Marco Antonio Oliveira.

Ele também tenta remontar seu grupo político no PT para se lançar candidato a deputado federal em 2018.

O possível indiciamento na Lava Jato pela recomendação do relatório da PF pode atrapalhar os planos de Mercadante — que chegou a ser o ministro mais poderoso de Dilma — de deixar o exílio autoimposto e voltar à ribalta política.

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