Análise: PT e PC do B trocam discurso do golpe por pragmatismo

Vera Magalhães

19 de janeiro de 2017 | 16h24

O PT e o PC do B estão presos numa armadilha autoimposta. Se fizerem o que querem as direções dos dois partidos, deputados e senadores de oposição a Michel Temer terão de engolir o discurso de que o governo é golpista e ilegítimo e apoiar aliados do presidente para comandar a Câmara e o Senado.

Tudo em troca de lugares nas Mesas Diretoras e um pouquinho de poder e cargos advindos disso. Afinal, foi o que restou.

A contradição já dá um nó na cabeça dos petistas e aliados e divide a antes unida tropa de choque da resistência ao impeachment de Dilma Rousseff.

O líder do PT, Carlos Zarattini, expoente da esquerda do partido, apareceu na festa de lançamento da candidatura de Jovair Arantes (PTB). Trata-se, “apenas”, do relator do pedido de impeachment de Dilma na Câmara.

O outrora abre-alas do discurso do golpe Gilberto Carvalho foi responsável por cunhar uma carta reveladora às bancadas do partido, em que praticamente enuncia que as vagas no Legislativo foram o espaço que sobrou para alojar companheiros desempregados após o partido perder o governo federal e várias prefeituras.

Pregando no deserto, Carvalho pede aos petistas que não exponham a divisão à imprensa, essa inimiga. Enquanto isso, dirigentes e parlamentares já tratam de fazer o contrário, em mais um caso de vexame público de um partido que vive profunda crise de identidade.

Nesse aspecto, ao menos, o PC do B é mais disciplinado: fechou de uma vez apoio à reeleição de Rodrigo Maia e faz um silêncio sepulcral sobre a tese do golpe.

*Análise originalmente produzida para o Broadcast.

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