Análise: Debate não foi decisivo para definir eleição em SP

Vera Magalhães

30 de setembro de 2016 | 17h00

Aguardado com expectativa pelos principais candidatos que disputam a chance de ir ao segundo turno em São Paulo, o último debate televisivo, transmitido pela Rede Globo na noite de quinta-feira, não parece ter sido decisivo par desempatar o jogo entre Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PT) e Fernando Haddad (PT).

O debate da Globo, por ser o que tradicionalmente encerra a campanha e tem a maior audiência, costuma ser aquele em que o candidatos se arriscam menos.
Não foi diferente ontem: os contendores evitaram o embate mais ríspido e muitas vezes usaram as perguntas não para fustigar os adversários, mas para divulgar as próprias propostas.

Isolado na liderança da disputa, de acordo com as pesquisas, João Doria Jr. (PSDB) foi relativamente poupado pelos principais rivais — a exceção foi Luiza Erundina (PSOL), que procurou desconstruir seu discurso de que não é político, e sim gestor.

Ele e Marta protagonizaram uma dobradinha que virou até meme nas redes sociais, tamanha a troca de amabilidades. A razão de terem se poupado mutuamente é que o tucano considera que a peemedebista tem menos chance de passar ao segundo turno, e espera ter o apoio da senadora.

Já Marta preferiu focar as críticas em Haddad e Russomanno, que precisa superar para seguir adiante na disputa.

Para Haddad, que experimenta lenta recuperação nas pesquisas, o debate foi frustrante. O prefeito foi escanteado pelos principais candidato: em dois blocos em que não era obrigatório dirigir perguntas a todos o participantes, o petista não foi questionado.

Com isso, Haddad falou por menos de oito minutos, contra uma média de 12 a 18 dos demais principais oponentes.

Foi um balde de água fria na estratégia petista de incendiar a militância por meio das redes sociais. O PT terá de contar com sua conhecida militância para escalar as intenções de votos nos últimos dias e levar o prefeito ao segundo turno.

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