Alckmin faz giro pelo Nordeste e fala em 2018

Vera Magalhães

20 de outubro de 2016 | 15h34

Na esteira da vitória eleitoral que obteve na capital e em importantes cidades do Estado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lançou esta semana uma agenda de viagens cujo objetivo é torná-lo conhecido no resto do país e alavancar sua pré-candidatura à Presidência em 2018.

Alckmin aproveitou a realização de uma rodada de testes da vacina contra a dengue para visitar Pernambuco. A prova de que não foi apenas uma viagem voltada à ciência é que o tucano cumpriu um périplo de entrevistas por jornais, emissoras de TV e rádios locais.

O Nordeste é considerado a região mais refratária a um candidato com o perfil de Alckmin, considerado muito “paulista” e de difícil identificação pelo eleitorado nordestino — onde o PT tem vencido as eleições desde 2002.

Em entrevista ao “Jornal do Comércio”, Alckmin respondeu da seguinte maneira a uma pergunta sobre sua eventual candidatura presidencial: “Vamos aguardar. O futuro está nas mãos de Deus”.

O tucano lembrou que já foi candidato ao Planalto em 2006, contra Lula. Afirmou que não foi fácil, porque a reeleição, segundo ele, sempre ajuda o incumbente.

Ele negou que pretenda se candidatar à presidência do PSDB, como forma de se contrapor ao predomínio interno do tucano Aécio Neves, atual presidente da sigla, mas defendeu a renovação da cúpula do partido, com a ampliação das consultas internas. “Quem ouve mais, erra menos”, afirmou.

Alckmin ainda falou sobre economia, ao se esquivar de novas perguntas sobre uma eventual candidatura. Disse que 2018 está longe, mas é necessário recuperar emprego e renda.

O tucano deve fazer outras viagens do gênero a várias regiões do Brasil. A ida a Pernambuco também é emblemática por outra razão: o Estado é controlado pelo PSB, partido do vice-governador de São Paulo, Márcio França. O PSB é visto como possível porto seguro de Alckmin caso não consiga vencer Aécio na disputa interna pela candidatura. Além disso, a ala pernambucana do PSB é mais próxima do senador mineiro — o início do giro nacional pelo Estado representa um gesto de aproximação de Alckmin da família e dos herdeiros políticos de Eduardo Campos.