Facebook diz que limitará alcance de publicações falsas nas eleições sem removê-las

Facebook diz que limitará alcance de publicações falsas nas eleições sem removê-las

Levy Teles

12 de maio de 2022 | 14h25

Em apresentação do grupo Meta, que engloba Facebook, WhatsApp e Instagram, sobre as ações para as eleições brasileiras de 2022, executivos afirmaram que a redução do alcance de conteúdos falsos é um dos temas prioritários para a empresa até outubro.

No Facebook e no Instagram, a proposta é reduzir a distribuição de conteúdos classificados como falsos. O Meta informou que o alcance é reduzido em 80% do feed. Esses conteúdos são analisados por agências de verificação de fatos.

Páginas no Facebook que repetidamente compartilham conteúdos marcados como falsos têm todo o seu alcance diminuído. As publicações, contudo, se mantêm no ar.

“Existe um papel quase que educacional”, diz Monica Steffen, gerente de Políticas Públicas da Meta, no Brasil. “Acreditamos que comunicar o usuário de que o conteúdo é falso nos permite exercer melhor nosso papel.”

Foto: Tony Avelar/AP Photo

Uma das soluções para garantir acesso à informação de qualidade é aplicar um rótulo em todo conteúdo eleitoral que redireciona usuários para o site da Justiça Eleitoral.

Para Monica, essa medida traz um tipo de equilíbrio, “sem tolher a liberdade de expressão”. Desde a implementação da medida, informa a plataforma, mais de 2,8 milhões de pessoas clicaram no botão.

Mensagens que contenham discurso de ódio, promovam a violência, estimulem a supressão de votos ou violem as diretrizes de conteúdo do Facebook serão removidas

Patrícia Rossini, pesquisadora no Departamento de Comunicação e Mídia da Universidade de Liverpool, cita que a redução de alcance no Facebook também é bem-vinda, a princípio, mas que é preciso esclarecer como isso vai ser implementado. “Em geral, o principal problema nas redes sociais não é a falta de diretrizes e regras, mas a falta de consistência na aplicação, sobretudo em larga escala”.

A pesquisadora adiciona que cidadãos comuns têm um alcance “muito pequeno em relação a páginas, celebridades, influenciadores e, claro, políticos e campanhas”. “A menos que esses atores com maior alcance sejam tratados com mais escrutínio, ou seja, sujeitos a uma ação mais rápida quando compartilham desinformação, esse tipo de abordagem pode ser ineficaz”, afirma.

WhatsApp

Para o WhatsApp, a principal estratégia para este ano é a redução do reencaminhamento de mensagens para apenas um grupo por vez. O aplicativo reconhece que houve ação de empresas em disparo de mensagens políticas automatizadas durante a eleição de 2018. Desde então, a plataforma cria medidas para impedir movimentos controlados por robôs e corta a viralidade de conteúdos por encaminhamentos.

Para coibir o envio massivo, o aplicativo pretende identificar comportamentos atípicos em três eixos: no registro, a partir da detecção de contas criadas por automação; nas mensagens, pelo uso anormal da plataforma, e nas denúncias, que podem ser feitas pelos usuários ao próprio WhatsApp ou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Patrícia Rossini, da Universidade de Liverpool, afirma que a redução de alcance no WhatsApp é bem-vinda “porque existe uma distorção menor de alcance” em comparação ao Facebook, já que não há algoritmos capazes de ampliar o público que terá acesso às mensagens a partir de métricas como engajamento. Ela também destaca os limites já presentes em grupos, que podem ter até 256 pessoas, e as listas de transmissão.

Apresentação de ações do WhatsApp no combate à desinformação. Foto: Reprodução

Como não realiza a verificação de conteúdo, o WhatsApp atua na detecção de comportamentos impossíveis de serem realizados por humanos. Esse sistema de integridade bane cerca de 8 milhões de contas por mês em todo mundo, informa a empresa.

Para as eleições neste ano, em colaboração com a Justiça Eleitoral, o WhatsApp terá uma equipe exclusiva de advogados no Brasil, canal eletrônico para intimações eleitorais, possibilidade de remoção e suspensão de contas, fornecimento de dados de usuários e canal de denúncias.

O head de política pública do WhatsApp, Dario Durigan, disse que outra ação planejada até outubro é “rodar o Brasil”, para estabelecer conexões e diálogos com Tribunais Regionais Eleitorais, sociedade civil, partidos e candidatos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.