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Rubens Paiva foi assassinado sob tortura, diz comissão

Roldão Arruda

04 de fevereiro de 2013 | 14h19

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Claudio Fonteles, não tem mais dúvida de que o o ex-deputado Rubem Paiva foi  assassinado sob tortura, nas dependências do DOI-Codi do Rio de Janeiro.

A conclusão do ex-procurador geral da República é baseada no cruzamento de informações contidas no Arquivo Nacional com os documentos que foram entregues à polícia do Rio Grande do Sul pela família do coronel Júlio Miguel Molina Dias, assassinado em Porto Alegre, em novembro. Segundo Fonteles, esses documentos, somados a depoimentos de pessoas que participaram dos eventos, desmontam a versão do Exército de que Paiva foi sequestrado após ter sido preso pelos militares.

As conclusões foram anunciadas nesta segunda-feira, 4, no site da Comissão. Fazem parte da série de textos “O Estado Ditatorial Militar”, que o coordenador começou a divulgar em novembro.

Parte do material já era conhecida. Fonteles adiantou suas conclusões em recente entrevista à jornalista Miriam Leitão, da Globonews. Por outro lado, um dos documentos apresentados agora no site oficial da comissão já estava na edição de hoje da Folha de S. Paulo, em reportagem de Patrícia Brito.

No conjunto, documentos e depoimentos atestam que, após ser preso por uma equipe do Cisa, da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1971, em sua casa, no Rio de Janeiro, Paiva foi entregue ao Doi-Codi no dia seguinte e torturado até a morte.

Na época, a versão apresentada pelo comandante do I Exército, Sylvio Frota, dizia que Rubens Paiva fugiu quando o carro militar que o conduzia foi interceptado por terroristas. Ele teria sido sequestrado por companheiros.

“O Estado Ditatorial militar, por seus agentes públicos, manipula, impunemente, as situações, então engendradas, para encobrir, no caso, o assassinato de Rubens Beyrodt Paiva consumado no Pelotão de Investigações Criminais – PIC – do DOI/Codi do 1.º Exército”, conclui Fonteles.

No material divulgado agora, o coordenador também apresenta documentos sobre o caso do desaparecido Edmur Péricles de Camargo, conhecido como Gaucho. Ele teria sido preso numa operação que envolveu as ditaduras brasileira e argentina.

Fonteles deve deixar o cargo de coordenador da comissão no dia 15.

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