Representante da Santa Sé na Rio+20 defende reforma agrária e ataca políticas de direitos reprodutivos
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Representante da Santa Sé na Rio+20 defende reforma agrária e ataca políticas de direitos reprodutivos

Roldão Arruda

20 de junho de 2012 | 21h11

A defesa da pequena propriedade familiar continua sendo um tema caro à Igreja Católica. No Rio,  o cardeal dom Odilo Scherer, legado pontifício e chefe da Delegação da Santa Sé para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, disse em discurso que os governos devem investir mais na agricultura familiar e em pequenas propriedades. Sem isso não haverá futuro sustentável.

Ele discursou num evento paralelo à conferência, denominado Agricultura e Sociedades Sustentáveis, organizado pela Cáritas Internacional e a Franciscana Internacional. Na mesma ocasião, o cardeal, arcebispo de São Paulo, também abordou a questão das políticas de direitos reprodutivos – assunto que aparece cada vez mais pauta da Igreja. Disse que tais políticas, que seriam voltadas para o controle populacional, constituem uma ameaça à instituição familiar.

A íntegra do discurso, feito na terça-feira, 19, foi distribuída nesta quarta-feira pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ela pode ser lida no site da instituição. Seguem abaixo alguns trechos:

Neo-malthsianos. “A contínua promoção das abordagens neo-malthusianas para o desenvolvimento, que veem o ser humano como obstáculo para o desenvolvimento, em vez de um benefício para este, levou à adoção de programas que promovem a destruição da vida humana e desenvolveu uma cultura hostil à vida. Os efeitos de uma abordagem não centrada no ser humano pode ser verificada no envelhecimento de comunidades ao redor do mundo hoje e nos milhões de órfãos que nunca tiveram a aportunidade de nascer e cujas contribuições graduais para o nosso planeta, portanto, ficarão para sempre em falta.”

Reforma agrária. “Um dos primeiros passos a serem tomados no tratamento a reforma agrária é resolver a falta de direitos de terra e propriedade por marginalizados dentro da sociedade. A crescente concentração da propriedade da terra e produção agrícola por poucos apresentam uma obrigação moral para os líderes políticos e sociais para encontrar meios equitativos e justos para uma reforma agrária em longo prazo. Em particular, maiores investimentos em agricultura familiar e pequenas propriedade proporcionam uma oportunidade única, tanto para apoiar a família e quanto para apoiar um futuro mais sustentável para a agricultura em longo prazo.”

Direito à água. “Por sua própria natureza, a água nunca pode ser tratada como mais uma mercadoria, mas deve sim ser reconhecida como um direito inalienável de ser compartilhada em solidariedade e generosidade com os outros. A água é um bem público, o que significa que é da responsabilidade da liderança política garantir que todas as pessoas tenham acesso à água potável, especialmente os pobres.”

Direitos reprodutivos. “Enquanto a Santa Sé tem procurado promover um desfecho que respeite a dignidade da pessoa humana, nós continuamos a ver algumas delegações tentando promover estas questões como ‘dinâmica populacional’ ou ‘direitos reprodutivos’, como uma forma de desenvolvimento sustentável. Estas propostas são baseadas em uma noção errada de que o desenvolvimento sustentável e a proteção ambiental só podem ser alcançados através da garantia de que haja menos pessoas em nosso planeta. Sublinhada por uma hermenêutica da suspeita que fere profundamente a solidariedade humana, tal ideologia levou a um alarmante destruição na família e, fundamentalmente, priva o planeta de seu maior recurso, a pessoa humana, que está no centro do desenvolvimento sustentável.”

 

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