PUC-SP cria Comissão da Verdade e relembra resistência
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PUC-SP cria Comissão da Verdade e relembra resistência

Roldão Arruda

15 de maio de 2013 | 20h42

“Ação de combate”. Foi essa a expressão que o secretário de Segurança de São Paulo, coronel Erasmo Dias, usou para explicar a violência da invasão do campus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), no dia 22 de outubro de 1977. Com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral e cacetadas, os policiais que estavam sob seu comando prenderam na ocasião cerca de 2 mil estudantes.

Vindos de diversas partes do País, eles estavam reunidos para recriar a União Nacional dos Estudantes (UNE), extinta pela ditadura militar. Vários deles, atingidos pelas bombas, sofreram queimaduras e tiveram que ser hospitalizados.

Esse é um dos episódios da história daquela universidade que deverão analisados pela Comissão da Verdade da PUC-SP, que acaba de ser criada. Oficialmente denominada Comissão Nadir Gouvêa Kfouri, em homenagem à professora que ocupava o cargo de reitora na ocasião da invasão, ela deverá examinar e esclarecer violações de direitos humanos e as ações de resistência ocorridas entre 1964 e 1988.

A comissão será integrada pelos professores Antonio Carlos Malheiros (direito), Heloisa de Faria Cruz (história), Leslie Denise Beloque (economia), Marijane Vieira Lisboa (sociologia), Rosalina de Santa Cruz Leite (serviço social), Salma Tannus Muchail (filosofia) e a advogada Ana Paula Albuquerque Grillo, representante da Arquidiocese de São Paulo e da Fundação São Paulo. O professor João Edênio dos Reis Valle, que ocupava o cargo de vice-reitor comunitário na gestão de Nadir Kfouri, foi nomeado membro honorário do grupo.

A PUC-SP teve um importante papel na luta pela redemocratização do País, no tempo em que o cardeal Paulo Evaristo Arns, ocupando o cargo de arcebispo de São Paulo, era o seu grão-chanceler. Naquele mesmo ano de 1977, foi lá que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) encontrou abrigo para a realização da sua 29.ª assembléia anual. A ditadura havia proibido qualquer instituição pública de abrir suas portas para o evento.

No Teatro da Universidade Católica, o Tuca, se apresentaram quase todos os principais artistas da década de 70. A musa dos pacifistas, a americana Joan Baez, foi proibida de cantar lá suas canções de protesto em 1981. Um delegado da Polícia Federal disse que ela não tinha autorização para cantar no Brasil.

Os trabalhos da Comissão da Verdade da PUC-SP deverão ser concluídos em dois anos.

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