Propaganda para vereador escancara mazelas do sistema
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Propaganda para vereador escancara mazelas do sistema

Roldão Arruda

07 de setembro de 2012 | 18h40

No sacolão, ao lado do caixa, um dos rapazes que empacotam as compras pergunta ao colega se viu a Mulher Pera no horário da propaganda dos candidatos a vereador em São Paulo.

“Você assiste esse negócio?” – responde o outro.

“Eu assisto. Só pra dar umas risadas.”

Ele não deve ser o único que liga a TV no horário da propaganda em busca de tipos folclóricos, estrelas fugazes do show business, ex-integrantes do BBB, piadistas, alguns até engraçados. Nem tudo ali, porém, é diversão. Sem desconsiderar os candidatos sérios, o que fica mais evidente por trás daquela sucessão de rostos ansiosos, padrinhos e frases de efeito é a precariedade do sistema partidário brasileiro.

Veja-se o caso da aliança entre dois velhos inimigos ideológicos, o malufismo e o petismo. Ela não é evidenciada pelos marqueteiros de Fernando Haddad no horário de propaganda do candidato a prefeito. Mas aparece, cristalina, na hora dos vereadores, quando Wadih Mutran, longevo escudeiro de Paulo Maluf, pede votos para o petista.

É tão constrangedor, que, em seu site na internet, Mutran se viu obrigado a avisar ao eleitorado mais conservador que continua no PP e ao lado de Maluf. Lava as mãos ao esclarecer que foi a direção do partido que se aliou ao PT e que cabe a ele apenas “acatar a decisão”.

Ninguém escapa. É possível imaginar que o candidato José Serra, que combateu a ditadura militar e foi obrigado a sair do País para não ser preso, não se sinta no melhor dos mundos ao ver sua candidatura defendida pelo cantor Agnaldo Timóteo, “um jovem de 76 anos”, como ele se apresenta. Afinal, o intérprete de A Casa de Irene, candidato à reeleição pelo PR, um dos quatro partidos que se coligaram ao PSDB, é um entusiasta do regime militar. Recentemente ganhou destaque na mídia por sair em defesa do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Não é fácil se localizar na salada de siglas. Oficialmente, o apóstolo Valdomiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, apoia Serra, do PSDB. Mas aparece no horário da propaganda eleitoral dos vereadores para apadrinhar o pastor Edemilson Chaves, que é filiado ao PP, de Paulo Maluf, que apoia Haddad, do PT.

Para finalizar: alguém já avisou ao cantor Netinho de Paula, prestigiado candidato a vereador pelo PC do B, que o programa do seu partido defende a substituição do sistema capitalista pelo socialismo?

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