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Procuradores ouvem delegado que confessou assassinato e incineração de corpos de prisioneiros políticos na ditadura

Roldão Arruda

30 de maio de 2012 | 16h44

Representantes do Ministério Público Federal, vinculados ao Grupo de Trabalho Justiça de Transição, estiveram ontem no Espírito Santo para ouvir Claudio Guerra, ex-delegado do Dops envolvido com execuções de militantes políticos de esquerda nos anos da ditadura militar. Em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, Guerra revelou que participou direta e indiretamente de dezenas de execuções na década de 1970 e início dos anos 80. No livro Memórias de Uma Guerra Suja, assinado pelos dois jornalistas e lançado há pouco, o ex-delegado é apresentado como “ardiloso e implacável matador”, qualidades que o teriam levado a ocupar cargos estratégicos na chamada “guerra suja” contra a esquerda.

Os procuradores que foram atrás do delegado também ouviram Marival Chaves, outro delegado do Dops do Espírito Santo envolvido com a repressão política no período da ditadura. O Grupo Justiça de Transição investiga sobretudo casos de sequestro e desaparecimento político, crimes que, segundo sua interpretação, não prescrevem enquanto não se localiza o corpo das vítimas. Os responsáveis não teriam sido beneficiados pela Lei da Anistia.

Guerra tem 71 anos e é pastor evangélico. Num dos trechos de seu depoimento aos dois jornalistas, contou que foi o responsável pela incineração de uma dezena de corpos de militantes políticos, no forno de uma usina de açúcar o interior do Rio, na década de 1970. As pessoas eram mortas em dependências do Exército no Rio e em São Paulo e depois levadas para lá. Parte de suas declarações tem sido questionada por estudiosos do período histórico. 

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