Pressionada, Igreja expõe documentos sobre pedofilia
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Pressionada, Igreja expõe documentos sobre pedofilia

Roldão Arruda

02 de fevereiro de 2013 | 02h35

A sombra da pedofilia, que pesa sobre parte do seu clero, com milhares de vítimas espalhadas pelo mundo, está obrigando a Igreja Católica a trilhar o caminho da transparência. Em menos de 15 dias, foram anunciadas duas importantes providências nessa área, nos Estados Unidos e na Alemanha.

A de maior impacto ocorreu em Los Angeles, na Califórnia. O arcebispo local, d. José Gomez, divulgou uma série de documentos que comprovam casos de abuso sexual cometidos por quase uma centena de padres de sua arquidiocese. Ele também anunciou o afastamento – de qualquer atividade pública e administrativa – das duas principais autoridades eclesiásticas implicadas no escândalo, o cardeal Roger Mahony, e  seu auxiliar mais próximo, o bispo Thomas Curry.

A divulgação dos documentos e o afastamento dos envolvidos, na quinta-feira, 31, faz parte do acordo judicial feito com as vítimas em 2007, segundo informações das agências de notícias.  Naquele acordo também ficou definida a indenização, pela arquidiocese, de cerca de 500 vítimas, num total 600 de milhões de dólares.

Ao tornar público os documentos, agora disponíveis no site da arquidiocese na internet, d. José esclareceu que se referem a casos ocorridos décadas atrás. “Isso, porém, não os torna menos importantes”, afirmou, segundo reportagem do jornal El País.

O cardeal Mahony admitiu que ajudou a encobrir as ações de padres que abusaram de menores, transferindo-os de uma paróquia para outra e evitando investigações. Ele também pediu desculpas às vítimas.

Antes disso, no dia 18, uma reportagem do New York Times informou que as autoridades da Igreja na Alemanha divulgaram um extenso relatório sobre abusos cometidos por padres naquele país.

Baseado no relato das vítimas, o documento, segundo o jornal, mostra que eles planejavam cuidadosamente seus ataques e abusavam das mesmas crianças repetidas vezes.

Claudia Adams, uma das vítimas cujo depoimento foi incluído no relatório, contou que foi molestada quando estava na pré-escola. O padre dizia-lhe que ela ficaria mais perto de Deus.

Assim como em Los Angeles, a maior parte dos casos divulgados agora na Alemanha ocorreu décadas atrás, entre 1950 e 1980.

Parte dos depoimentos foram obtidos por meio de uma linha aberta especialmente para ouvir os relatos. Muitas vítimas disseram que era a primeira vez que falavam sobre os abusos.

O relatório foi produzido em meio a pressões para que a Igreja da Alemanha autorize um estudo independente sobre o tema.

Nos Estados Unidos, a transparência é uma das principais exigências da Associação dos Sobreviventes de Abusos de Padres nos acordos legais. Seus diretores acreditam que só a revelação pública leva ao afastamento dos padres do trabalho na Igreja. Os que conseguem evitá-la conseguem, frequentemente, continuar em suas atividades. 

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