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Pregação evangélica casa com neoliberalismo e conservadorismo, diz André Singer

Roldão Arruda

03 de setembro de 2012 | 20h14

O crescimento das igrejas evangélicas no Brasil nas última décadas ajudou a empurrar a onda conservadora que está em curso. A pregação neopentecostal valoriza a ascensão individual das pessoas e deixa de lado e a ideia de espaços públicos. É o oposto do que defendiam os setores progressistas da Igreja Católica.

O autor deste pensamento é o cientista político André Singer, professor da USP. Ele abordou o tema ao participar, na semana passada, do debate A Ascensão Conservadora em São Paulo, organizado pelo Coletivo dos Estudantes em Defesa da Educação Pública. Também participaram do encontro, que tem sido reproduzido em redes sociais, os filósofos Vladimir Safatle e Marilena Chauí e o sociólogo Ricardo Musse.

Em sua intervenção, ao falar de diferentes aspectos da chamada ascensão conservadora, Singer abordou a questão religiosa. Disse: “A Igreja Católica, em certo momento dos anos 70, era uma igreja muito progressista. Num país profundamente católico, como era o Brasil até a entrada do evangelismo, isso era uma coisa muito forte, ajudava a dar substância ao que eu chamo de hegemonia cultural da esquerda. A Igreja Católica mudou muito com o papa João Paulo II e agora com o novo papa. Mudou a tal ponto que hoje setores progressistas já são minoritários e, me parece, continuam em refluxo. Foi uma instituição chave que mudou de lado, influenciando largos setores.”

Logo em seguida, o estudioso, autor do recém-lançado livro Os Sentidos dos Lulismo, abordou a questão evangélica: “Do outro lado da questão religiosa, houve a entrada em massa das confissões evangélicas, que já ocupam algo como 30% da população brasileira. Eu digo, sempre correndo o risco de comprar briga com os evangélicos progressistas, que eles casam muito com o pensamento neoliberal: eles produzem um discurso no sentido de ascensão individual, da redução dos espaços públicos, sem falar em aspectos morais, que não são diretamente o meu tema aqui, porque envolve um conjunto de outras questões. Então, se somarmos essa virada da Igreja Católica à entrada em massa de confissões evangélicas, vamos ver algo que é, ao mesmo tempo, reflexo e motor dessa onda conservadora que ainda está em curso no Brasil.”

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