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Estratégia evangélica mira segundo turno da eleição presidencial

Lideranças políticas evangélicas querem fortalecer Pastor Everaldo (PSC) no primeiro turno. Objetivo é ter mais poder de fogo para negociar apoio no segundo turno. Segundo pastor e senador Magno Malta, evangélicos estão decepcionados com o PT

Roldão Arruda

24 de julho de 2014 | 16h36

Em vídeo que acaba de gravar para pedir votos para o Pastor Everaldo (PSC), o seu colega pastor Silas Malafaia aponta qual deve ser a estratégia dos políticos evangélicos nas eleições presidenciais deste ano.

Segundo Malafaia, pastor vinculado à Assembleia de Deus e um dos mais ativos e polêmicos articuladores políticos do meio religioso, no primeiro turno os votos evangélicos devem ser descarregados no Pastor Everaldo. Situado em quarto lugar nas pesquisas sobre intenção de voto, atrás de Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), o candidato do PSC tem poucas possibilidades de vencer, mas, empurrado pelos evangélicos, pode sair fortalecido da eleição e cobrar caro pelo seu apoio a um dos dois candidatos que chegarem ao segundo turno.

Malafaia sugere que, para ser ungido pelas lideranças evangélicas no segundo turno, o candidato deverá assinar antes uma carta – na qual se comprometeria a não apoiar qualquer iniciativa que contrarie os interesses evangélicos.

Para atrair o voto evangélico para o candidato do PSC no primeiro turno, Malafaia desenha um cenário de terror. De acordo com sua definição, a família, os valores cristãos e capitalistas e os bons costumes estão sob intenso ataque no Brasil. As três principais questões que ele destaca no vídeo são: 1. existem centenas de projetos no Congresso destinados a destruir a família e os bons costumes; 2. querem librar a prostituição e as drogas no Brasil; 3. querem transformar a nação numa “numa Venezuela e numa Cuba”.

Numa das fotos que divulgou há pouco, juntamente com o vídeo, Malafaia aparece ao lado do pastor, cantor e senador capixaba Magno Malta. Filiado ao PR (após passar pelo PTB, PL, PMDB e PST), o senador também faz campanha a favor do Pastor Everaldo.

Em seu site na internet, Malta afirma que vai “reunir as lideranças religiosas do Brasil, decepcionadas com as manobras ideológicas do governo federal, para somar na defesa de propostas que ameaçam à família como: legalização da maconha, a liberação do aborto, casamento homossexual com os mesmos direitos do casamento tradicional, fim da impunidade para conter a crescente onda da violência inclusive com a implantação da redução da maioridade penal no País.

O senador se justifica: “Apostamos no PT e não fomos ouvidos, agora, vamos priorizar nossos princípios para destacar uma liderança própria e mostrar para o Brasil que temos vontade política para defender a vida.”

A Assembleia de Deus é a denominação religiosa evangélica com maior número de seguidores no Brasil. Do ponto de vista político, porém, ela não se movimenta como um bloco único. O pastor Malafaia representa uma de suas três principais tendências.

Para ver a exposição de Malafaia sobre como o voto evangélico deve ser direcionado, clique aqui.

Acompanhe o blog pelo Twitter – @Roarruda

 

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