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Candidatos não têm propostas claras para saúde, aponta estudo

Ao tratar de saúde pública em seus programas, os onze candidatos optam por generalidades e platitudes, dizem especialistas

Roldão Arruda

23 de julho de 2014 | 19h50

Como é que os candidatos a presidente da República estão tratando a questão da saúde pública, uma das principais preocupações dos eleitores? Para responder a essa pergunta, os professores Mário Scheffer e Lígia Bahia, dois especialistas no assunto, analisaram as proposições feitas pelos onze candidatos nos programas de governo que eles registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O resultado foi desalentador. De acordo com a análise, os programas evitam diretrizes claras, não explicitam qual modelo de atenção vão defender para o sistema nacional de saúde, nem como pretendem investir os recursos.

Segundo os dois especialistas, o que predomina nos programas são generalidades, obviedades, platitudes e trivialidades – termos usados no texto deles. Nenhum candidato dá conta de responder ao momento atual, “marcado por forte insatisfação dos brasileiros com o sistema de saúde”, afirmam.

Os dois autores do estudo, denominado

, fazem parte da Associação Brasileira de Saúde Coletiva. Scheffer é professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e Lígia está ligada ao Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ.

Nas conclusões do estudo, eles alertam que a insatisfação generalizada não está restrita aos usuários do SUS e aos pequenos centros urbanos nos grotões do País: “Ela atinge também aqueles cidadãos que, além de usarem o SUS, são conveniados a planos e seguros privados… Não está apenas nas pequenas localidades sem médicos e sem SUS. Ganha maior expressão nas massas dos grandes centros, mesmo onde a rede pública ampliou os serviços e onde existe altíssima concentração de médicos e de clientela de planos de saúde.”

Ao tentarem explicar a ausência de definições claras, os dois pesquisadores citam duas questões. Uma delas é o enfraquecimento e a perda da identidade programática dos partidos. A outra seria o distanciamento entre o representante político e o seu representado: “Os candidatos demonstram certo grau de arrogância e surdez incompatível com os clamores populares que apontam na direção do desejo de conquista de um sistema de saúde universal e de qualidade.”

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