Para Comissão da Verdade de São Paulo, JK foi vítima de atentado político
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Para Comissão da Verdade de São Paulo, JK foi vítima de atentado político

Roldão Arruda

13 de novembro de 2013 | 20h41

A Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo ainda não obteve uma prova definitiva. Mas, segundo seu presidente, vereador Gilberto Natalini (PV), já existem indícios suficientes para afirmar que a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 1976, não decorreu de um acidente automobilístico.

“Ele foi vítima de um atentado político, que causou a perda do controle do carro em que ele viajava e a sua morte”, disse Natalini, durante reunião extraordinária da comissão, na tarde desta quarta-feira, 13.

O vereador também anunciou que vai encaminhar à Comissão Nacional da Verdade um pedido de revisão histórica do fato. “Vamos pedir que considere a morte de Juscelino como assassinato de cunho político.”

Segundo Natalini, o pedido é baseado em depoimentos e investigações conduzidas pelo grupo que coordena. “Já temos uma base de dados suficiente para pedir a mudança.”

As declarações do vereador foram feitas após a comissão ter ouvido o depoimento do perito criminal Alberto Carlos de Minas, de 68 anos. Ele presenciou, em 1996, a exumação dos restos mortais de Geraldo Ribeiro, o motorista que dirigia o carro do ex-presidente no dia 22 de agosto de 1976, quando viajava de São Paulo para o Rio, pela Via Dutra.

Na exumação, contou o perito à Comissão Municipal, teria notado que o cranio estava perfurado por um projétil disparado por arma de fogo. Quando quis fotografar a perfuração, porém, foi impedido e afastado do local por agentes policiais. Mais tarde recebeu a informação de que o crânio havia se esfacelado.

“Eu vi o buraco de bala no crânio de Geraldo Ribeiro”, afirmou o perito, repetindo declarações já feitas em outras ocasiões. “Mas não me deixaram fotografar e o esconderam de mim.”

Ainda segundo o perito, o inquérito policial teria sido marcado por erros grosseiros. Citou como exemplo o fato de nunca terem sido exibidas fotos dos corpos do ex-presidente e de seu motorista. “Foi o primeiro grande erro que identifiquei. A fotografia fornece informações precisas. É o dado mais correto da perícia.”

Ele também notou que o laudo com análises de vestígios de tinta no qual o carro de Juscelino teria batido não foi assinado pelos seus responsáveis. “Os peritos responsáveis responsáveis se negaram a assinar o laudo”, disse. “A minha conclusão é de que houve um assassinato, com simulação de acidente.”

Pela teoria do assassinato, Juscelino teria sido morto por causa das articulações que vinha realizado com outros políticos, entre eles o ex-presidente João Goulart e o ex-governador Carlos Lacerda. O objetivo era a organização de uma frente ampla em defesa da volta à democracia, com eleições diretas para a Presidência da República.

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