Papa quer ouvir bispos para reformas. E as mulheres?
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Papa quer ouvir bispos para reformas. E as mulheres?

Roldão Arruda

29 de julho de 2013 | 23h25

O papa Francisco deixou claro em sua visita ao Brasil que pretende reformar a Igreja Católica. Falou em estruturas “caducas” e do risco de “ficar para trás”. Também falou que essas reformas não serão impostas de cima para baixo – e que os bispos e as conferências episcopais espalhadas ao redor do mundo estão sendo ouvidas pela comissão que ele nomeou para conduzir o processo.

Essa talvez tenha sido a parte mais reveladora da entrevista que ele deu ao repórter Gerson Camarotti, da TV Globo. Com um nível de informalidade surpreendente para um pontífice, Jorge Bergoglio falou ao repórter de suas insatisfações, dos problemas na Cúria Romana e da necessidade permanente que a Igreja tem de se reformar – uma vez que os valores de uma geração podem não ter a mesma serventia para a seguinte.

Ao descrever o processo de encaminhamento das reformas, frisou que o episcopado está sendo ouvido dentro do espírito de sinodalidade da Igreja. Ponto para ele. Mais do que declarações sobre a pobreza e gestos que simbolizam sua opção pela simplicidade, essa foi a principal indicação da entrevista de como o seu pontificado tende a se diferenciar de seus dois antecessores – João Paulo 2.º e Bento 16.

Os dois foram repetidamente criticados pelo excesso de centralização, contrariando o espírito do Concílio Vaticano 2.º, que enfatizou a colegialidade da Igreja.

Resta saber se o papa conseguirá enfrentar as resistências encasteladas no interior da própria Igreja e quais os limites do seu espírito reformista. Seria bom se ele ousasse abrir espaço para uma maior participação das mulheres nesse processo de mudanças. 

Quem olhar com atenção das fotos das cerimônias religiosas e encontros da cúpula da Igreja no Rio poderá ver, com clareza, como as mulheres estão alijadas do poder e até do cerimonial. Em seus discursos, o papa falou muito e elogiou o papel das mulheres como avós e mães. Será que, no processo de reformas, vai reconhecer que elas são mais do que isso?

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