Padilha ouve desabafo dos gays do PT
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Padilha ouve desabafo dos gays do PT

Roldão Arruda

11 Junho 2013 | 21h08

No sábado, dia 8, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reuniu-se discretamente em São Paulo com representantes dos gays que militam no PT municipal – o chamado Setorial LGBT. O tema que predominou no encontro foi o veto do governo à campanha de prevenção de Aids entre prostitutas, com a consequente demissão de Dirceu Greco da chefia do Departamento de DSTs, Aids e Hepatites Virais.

O grupo aproveitou o mote para dizer ao ministro, de maneira enfática, que desde a posse de Dilma Rousseff a militância se sente à margem do governo. Um dos interlocutores de Padilha utilizou expressões como constrangimento, descontentamento e revolta para definir o cenário atual.

Os militantes lembraram que o veto à campanha contra a Aids entre as prostitutas não foi a primeira iniciativa desse tipo no atual governo. No ano passado, durante o carnaval, já havia sido vetada uma campanha de prevenção voltada especificamente para homossexuais. Uma outra iniciativa nessa área, do Programa de Saúde e Prevenção nas Escolas, também foi torpedeada antes de decolar.

O problema, segundo o grupo que se reuniu com o ministro, não reside apenas no veto. O que mais preocupa é a forma como ocorre, numa espécie de rendição permanente do governo a grupos conservadores e fundamentalistas. Falou-se que o governo Dilma está se tornando refém de lobbies religiosos.

Padilha foi criticado pelo telefonema que deu ao pastor e deputado Marco Feliciano, da Comissão de Direitos Humanos. A ligação ocorreu após o veto à campanha de prevenção entre as prostitutas e foi prontamente explorada pelo evangélico em redes sociais.

“Era mesmo necessário ligar?” – perguntaram a Padilha.

Um especialista em questões relacionadas à prevenção da Aids lembrou que a propagação do vírus HIV no Brasil incide de maneira mais drástica em alguns grupos sociais. Se não houver propaganda direcionada, que fale diretamente com esses grupos, o trabalho de prevenção não terá a eficiência que se espera.

O grupo, com nove pessoas, entre militantes antigos e jovens, relembrou ao ministro as bandeiras do PT, de um governo para todos, que não discrimine grupos de cidadãos.

Padilha reagiu. Destacou que travestis, transsexuais e prostitutas não foram esquecidos nas campanhas de prevenção. Em relação ao veto da campanha voltada para prostitutas, reafirmou que a causa não foi política.

“Foi uma questão técnica” – insistiu. Segundo suas afirmações, Greco, o diretor do departamento, teria divulgado a campanha antes de submetê-la a todas as instâncias técnicas do ministério.

Para Padilha, essa atitude foi a gota dágua numa série de ações que vinham desgastando o relacionamento do diretor com o restante da equipe do ministério. As três campanhas vetadas, afirmou, foram apresentadas à imprensa antes de serem analisadas internamente.

O ministro ainda criticou o slogan da campanha – “Eu Sou Feliz Sendo Prostituta”. Disse não acreditar que uma mulher seja feliz na prostituição e que não cabe ao governo dizer quem é feliz ou não, mas sim encontrar a melhor maneira de estimular a prevenção.

Nessa parte da conversa, Padilha teve o apoio de uma militante ligada ao movimento feminista. Ela disse que a campanha ignora a exploração a que as mulheres são submetidas na prostituição.

Na despedida, o ministro insistiu que a orientação do ministério é laica e não está submetida a nenhum grupo religioso. Também prometeu campanhas mais ousadas de prevenção à Aids.

Os militantes não saíram muito convencidos.

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