Os candidatos e os cultos religiosos: erros e acertos
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Os candidatos e os cultos religiosos: erros e acertos

Roldão Arruda

27 de julho de 2012 | 19h33

A preocupação com o voto de grupos religiosos parece aumentar a cada eleição. Alguns observadores veem isso com preocupação, como se os limites entre Igreja e Estado corressem o risco de se dissolver, com o retorno ao passado. Outros acham que o momento democrático pode ser uma oportunidade para o exercício do pluralismo, da tolerância religiosa e da liberdade expressão.

Deixando de lado o pano de fundo, vale a pena dar um olhada na maneira como alguns candidatos se movimentam nesse terreno. Gabriel Chalita, do PMDB, vai às missas acompanhado de jornalistas. Mas não se pode recriminá-lo nem chamá-lo de oportunista.

Ligado à Renovação Carismática, movimento conservador da Igreja Católica, Chalita participava regularmente das celebrações antes de se tornar candidato. No caso dele, seria oportunismo se deixasse agora de manifestar a fé católica.

O candidato do PRB, Celso Russomano, esteve presente, dias atrás, em uma celebração em homenagem a Santo Expedito, no bairro do Bom Retiro. Uma vez que a cúpula de seu partido é constituída quase inteiramente por pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, o principal propósito era deixar clara a sua origem católica.

Comportou-se adequadamente, demonstrando conhecer o ritual. O único problema de Russomano foi a falta de pontualidade. Atrasou-se tanto que uma partidária, preocupada, chegou a sugerir aos organizadores que segurassem o início da cerimônia de adoração do Santíssimo.

Ora, por mais complicada que seja a agenda do candidato, pontualidade nos cultos é essencial. O atraso pode ser entendido como falta de respeito.

Soninha Francine, candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, foi à missa na quinta-feira, 26. Esteve na Paróquia Sant’Ana, na Rua Voluntários da Pátria, na zona norte, no dia em que a santa é homenageada pelos católicos do mundo inteiro.

A escolha da data e do local não poderia ser mais acertada – uma vez que Sant’Ana foi durante décadas a patrona e padroeira da cidade de São Paulo e de sua arquidiocese. Embora tenha sido oficialmente substituída em 2008 por São Paulo, para muitos católicos ainda é ela, a mãe de Maria, avó de Jesus, quem intercede pelos paulistanos.

Por outro lado, considerando que a candidata é budista, sua presença numa celebração católica, com distribuição de autógrafos e fotos com fãs na saída,  corre o risco de ser interpretada como oportunismo. Na avaliação de um especialista, o professor de teologia Fernando Altemeyer, da PUC-SP, o melhor nesses casos é não participar diretamente da celebração. Ele recomenda que o candidato encontre outras maneiras de manifestar o respeito à enorme diversidade religiosa da cidade.

Logo após a missa, a assessoria da candidata do PPS distribuiu uma nota divulgando sua presença na missa “comandada” pelo cardeal de São Paulo.

Se houver uma próxima ocasião, recomenda-se evitar a expressão “comandar”, de tom militarista. Ainda segundo o professor Altemeyer, desde o Concílio Vaticano II, realizado há quase cinquenta anos, todas as pessoas que vão à missão são consideradas celebrantes. O papel do padre é o de presidir a celebração.

O candidato José Serra, do PSDB, tem mantindo encontros com padres e pastores, mas de forma discreta, sem publicidade. Uma de suas preocupações é passar ao largo de qualquer tom de guerra religiosa, como o que invadiu a campanha presidencial de 2010. Um recente encontro dele com jovens da Assembleia de Deus, em Perus, não chegou a figurar na agenda distribuída aos jornalistas que cobrem a campanha.

A relação de outros candidatos com a religião fica para um próximo post.

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