ONG quer explicações de Telhada na Comissão da Verdade
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ONG quer explicações de Telhada na Comissão da Verdade

Roldão Arruda

22 de março de 2013 | 21h19

O projeto de lei apresentado pelo vereador paulistano Coronel Telhada, propondo a concessão da Salva de Prata da Câmara para a Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) está provocando reações em organizações de defesa de direitos humanos. O que chamou a atenção dessas organizações foi o texto que o vereador apresentou para justificar a honraria.

Ao lembrar fatos do “passado heroico” da Rota, ele mencionou suas campanhas contra grupos guerrilheiros que se levantaram contra a ditadura militar. Citou especialmente os seguidores de Carlos Lamarca e Carlos Marighella, mortos por agentes da repressão.

No momento em que comissões da verdade espalhadas por todo o País insistem em afirmar que não havia nada de heroísmo nas ações da repressão, as reações ao texto de Telhada já deviam ser esperadas. Nesta sexta-feira, 22, a Conectas Direitos Humanos divulgou nota oficial qualificando as afirmações do vereador como “um erro histórico”.

Na avaliação da ONG, a Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva deveria convocar Telhada a prestar esclarecimento sobre qual foi exatamente o papel da Rota na ditadura.

“Embora a proposta de condecoração seja esdrúxula, ela enseja a oportunidade de que o vereador Telhada dê a conhecer na Comissão da Verdade uma parte importante da triste história recente do Brasil”, explicou João Paulo Charleaux, porta-voz da Conectas. “Ele deveria ser convidado a partilhar seus conhecimentos.”

O vereador já comandou o batalhão que pretende homenagear. No texto com a justificativa, ele afirma que na década de 1970 os guerrilheiros estavam implantando o pânico, a intranquilidade e a insegurança na Capital e Grande São Paulo”. Segundo o vereador, promoviam “ataques a quartéis e sentinelas, assassinatos de civis e militares, sequestros, roubos a bancos e ações terroristas”.

Naquela conjuntura, segundo o texto, o batalhão deu “sequência no seu passado heróico”, combatendo a guerrilha que “atormentava o povo paulista”. 

Na Comissão de Constituição e Justiça, o projeto de lei foi aprovado por unanimidade, em meio a um pacote de propostas. Teve os votos dos vereadores Goulart (PSD), Laercio Benko (PHS), George Hato (PMDB), Conte Lopes (PTB), Abou Anni (PV), Sandra Tadeu (DEM), Eduardo Tuma (PSDB), Arselino Tatto (PT) e Alessandro Guedes (PT).

 A próxima comissão que irá analisar a proposta será a de Educação, constituída pelos vereadores Reis (PT), Floriano Pesaro (PSDB), Orlando Silva (PC doB), Ota (PSB), Jean Madeira (PRB), Toninho Vespoli (PSOL) e Edir Sales (PSD).

Não é a primeira vez que o vereador ataca os grupos de esquerda que se opuseram à ditadura. No dia 25 de janeiro ele postou em sua página no Facebook uma homenagem a Alberto Mendes Junior, militar morto durante a campanha levada a cabo pela Polícia Militar contra o guerrilheiro Carlos Lamarca, no Vale do Ribeira, interior do Estado, em 1970.

De acordo com o texto publicado no Facebook, o policial foi “assassinado por grupos terroristas de políticos que hoje estão no poder e ainda se apresentam como defensores dos direitos humanos.”

Em seu site na internet, a Conectas Direitos Humanos se apresenta como uma organização não governamental internacional, sem fins lucrativos, fundada em setembro de 2001 em São Paulo. Desde 2006, a ONG tem status consultivo junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

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