ONG associa alta taxa de suícidio entre índios jovens a problemas fundiários
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ONG associa alta taxa de suícidio entre índios jovens a problemas fundiários

Roldão Arruda

09 de outubro de 2013 | 19h09

A taxa de suicídio entre os índios guaranis é 34 vezes maior que a taxa nacional. Só ano passado 56 indígenas daquela etnia cometeram suicídio, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A maioria das vítimas tinha idade entre 15 e 29 anos. A pessoa mais jovem da lista era uma criança, de 9 anos.

Esses números foram divulgados hoje pela Survival International para lembrar o Dia Mundial da Saúde Mental, que será comemorado amanhã, 10 de outubro. A organização, que se dedica à defesa de populações indígenas que enfrentam ameaças, alerta que o problema do suicídio entre os jovens guaranis está associado à desorganização social, decorrente da perda de suas terras.

Segundo a organização, o caso dos índios brasileiros não é isolado. Povos indígenas ao redor do mundo apresentam taxas de suicídio mais altas que a média nacional. No caso brasileiro, o problema poderia ser reduzido se as terras reivindicadas pelos guaranis fossem demarcadas.

Ouvido pela organização que tem sede em Londres, o índio Rosalino Ortiz também associa os suicídios entre jovens aos conflitos pela terra. “Os Guarani estão se suicidando por falta da terra. A gente antigamente tinha a liberdade, mas hoje em dia nós não temos mais liberdade. Então, por isso, os nossos jovens vivem pensando que eles não têm mais condições de viver. Eles se sentam e pensam muito, se perdem e se suicidam.”

No Mato Grosso do Sul, grupos indígenas que reivindicam terras estão vivendo em condições precárias à margem de rodovias. As poucas reservas que possuem estão superpovoadas e são comuns casos de desnutrição e alcoolismo.

A Survival tem feito campanhas para que o governo brasileiro demarque as terras dos guaranis em regime de urgência. Também está procurando sensibilizar empresas internacionais para quem deixem de comprar produtos oriundos de terras reivindicadas pelos índios. Na maior parte dos casos elas foram ocupadas por lavouras de cana-de-açúcar.

Em Brasília, porém, o Congresso caminha em outra direção: discute uma proposta de emenda constitucional, a PEC 215, que retira do Poder Executivo a autoridade para a demarcação de terras indígenas. Para a Survival, a mudança da Constituição seria um desastre, uma vez que a bancada ruralista passaria a ter força para vetar ou postergar as reivindicações indígenas.

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