Afasta de mim esse kit
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Afasta de mim esse kit

Roldão Arruda

13 de abril de 2012 | 17h10

Roldão ArrudaOs militantes gays do PSDB, agrupados no secretariado provisório da Diversidade Tucana, estão preocupados com campanha eleitoral em São Paulo. Eles não querem que o partido utilize o polêmico kit gay para atacar o candidato petista, o ex-ministro Fernando Haddad.“O PSDB não pode cair na armadilha dos grupos religiosos mais conservadores”, diz o presidente do núcleo, Marcos Fernandes. “Esse tipo de campanha só estimula a homofobia.”Nas conversas com a cúpula tucana, Fernandes tem dito que o PSDB não pode jogar seu passado no lixo: “Nosso partido foi pioneiro no combate à discriminação e José Serra sempre se destacou nessa questão. Se o PSDB ceder às pressões dos políticos evangélicos, vai repetir o erro de Marta Suplicy na campanha de 2008.”Para quem não lembra, na época a petista lançou uma propaganda que punha em dúvida a conduta pessoal do então candidato Gilberto Kassab, enfatizando que não era casado. “Até hoje Marta não se recuperou dos danos que isso causou à imagem dela”, afirma o líder da Diversidade. O kit gay é o nome com o qual ficou conhecido o material pedagógico que seria utilizado em escolas públicas com o objetivo de iniciar a educação das crianças sobre questões que envolvem a homossexualidade. Produzido por uma ONG, com recursos do Ministério da Educação, na época em que Haddad era ministro, o material foi bombardeado pela bancada evangélica no Congresso. Pressionada, a presidente Dilma Rousseff determinou o engavetamento do projeto.O objetivo dos evangélicos é atribuir a Haddad a responsabilidade pelo kit e afastar dele o eleitorado mais conservador – a mesma tática que usaram contra Dilma, na campanha presidencial de 2010. Na ocasião tentaram colar nela a imagem de defensora do aborto.O pré-candidato a prefeito José Serra sempre foi defensor dos direitos dos homossexuais, segundo os militantes. Em manifesto sobre o assunto, a Diversidade Tucana destaca que, à frente do Ministério da Saúde, o pré-candidato a prefeito de São Paulo deu ênfase às parcerias com o movimento de defesa dos direitos dos homossexuais na luta contra Aids. Mais tarde, na Prefeitura de São Paulo, criou a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual. Repetiu a dose ao chegar no governo do Estado, com a Coordenação de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual, vinculada à Secretaria de Justiça. Também patrocinou a 1.ª Conferência Estadual LGBT de São Paulo e instalou o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais.Quem éFernandes é funcionário público, formado em filosofia, e pré-candidato a vereador em São Paulo. Está organizando núcleos da Diversidade Tucana em diversas partes do País. Com o apoio do presidente da legenda, Sérgio Guerra, seu objetivo é ganhar força para criar uma secretaria em caráter permanente. Já existem núcleos organizados em São Paulo, Goiás e Paraná. Os próximos a serem oficializados devem ser os do Espírito Santo, Minas e Rio de Janeiro.