Para pesquisador, maior desafio do MST é aumentar produção
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Para pesquisador, maior desafio do MST é aumentar produção

Roldão Arruda

10 de fevereiro de 2014 | 21h58

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) abriu nesta segunda-feira, 10, em Brasília seu 6.º Congresso Nacional. Segundo os organizadores, o evento reúne 15 mil pessoas de todo o País.

O encontro também comemora o aniversário de trinta anos de existência da organização, cuja principal bandeira foi sempre a ocupação de terras – para pressionar os governos a realizarem a reforma agrária.

Essa prioridade, porém, deveria ser revista diante da atual conjuntura, segundo um dos principais estudiosos do movimento no País, o professor e pesquisador Bernardo Mançano Fernandes, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unesp. Para ele, a maior atenção agora deveria recair sobre a melhoria dos assentamentos e o aumento da produção de alimentos.

“O MST tornou-se um adulto e vive novos tempos”, diz ele. “Hoje temos uma população assentada considerável, quase um milhão de famílias, com um potencial de produção agrícola muito grande. Esse é um patrimônio que o MST construiu e do qual tem que cuidar.”

Do total de famílias assentadas no País, segundo Fernandes, 55% foram organizadas pelo MST. “É o movimento mais importante na luta pela reforma agrária na história do País.”

O MST não vai abandonar completamente as ocupações, segundo o pesquisador. “O que muda é a prioridade. Se antes investiam 20% de sua força nos assentamentos, agora terá que ser 80%. As ocupações não vão acabar. Mas não terão a mesma intensidade dos trinta anos anteriores.”

Ao comentar a redução no volume de ocupações terras em anos recentes, Fernandes diz está relacionada sobretudo às dificuldades do MST para mobilizar famílias. Ele atribui isso a programas programas sociais de transferência de renda, como o Bolsa Família, e aos bons índices de emprego nas cidades.

“Grande parte da população que luta pela terra é de origem urbana. Hoje com a boa oferta de emprego, o aquecimento da economia e o aumento da renda, essa população não se sente atraída para as ocupações rurais”, afirma. “O que está aumentando bastante são as ocupações urbanas. Se o desemprego aumentar, porém, as ocupações rurais voltarão a ganhar força.”

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