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Narcotráfico ameaça índios do Maranhão, admite Funai

Roldão Arruda

28 de abril de 2012 | 14h32

A Fundação Nacional do Indio (Funai) emitiu, na noite de sexta-feira (27), nota oficial sobre a situação do povo awá-guajá – grupo indígena do interior do Maranhão, com população estimada de 350 pessoas. A nota saiu três dias após a organização Survival International ter lançado uma campanha em defesa dos awá, afirmando que se trata do grupo indígena mais ameaçado do planeta.

A nota não se refere à campanha. Mas sugere que o quadro é mais complicado do que parece. Para começo de conversa, existem cerca de 180 serrarias operando ao redor da Terra Indígena Awá Guajá, território de 147 mil hectares, que abriga a última reserva de madeira da região. Mas esse não é o único risco. A Funai admite que o narcotráfico constitui outra ameaça grave e que os agentes públicos, do Ibama, da Polícia Federal e da própria Funai, não se sentem seguros naquele território (problema já constatado em outras áreas indígenas).

 É uma longa nota, na qual se pode destacar:

 1. A lentidão do Judiciário: o processo de regularização da Terra Awá-Guajá, entre os municípios de Centro Novo do Maranhão, Governador Newton Belo, São João do Caru e e Zé Docas, começou na década de 1970. Mas ela só foi homologada e registrada em 2009. Até hoje estão em curso apelações judiciais contra a demarcação

 2. Ameaças extermas: a Funai enfrenta dificuldades para impedir a extração ilegal de madeira porque esse tipo de atividade tem peso importante na economia dos municípios da região. Por outro lado, o narcotráfico avança e se torna mais ameaçador.

 3. Recomendações: a Funai admite que não terá êxito se não houver um combate mais efetivo contra o narcotráfico. Também adverte que, ao lado do combate às madeireiras ilegais, é preciso dar assistência aos municípios. “O rompimento sem ações desta natureza traria à tona maiores conflitos”, diz.

 

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