Não basta elogiar. Bispos devem imitar o papa, diz vaticanista
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Não basta elogiar. Bispos devem imitar o papa, diz vaticanista

Para especialista em assuntos internos da Igreja Católica, papa já deixou claro quais mudanças deseja no comportamento de padres e bispos. Resta saber se eles vão seguir. Em artigo sobre o tema, o especialista lembra visita do pontífice ao Brasil

Roldão Arruda

08 de março de 2015 | 14h21

Em artigo publicado no boletim National Catholic Reporter, o vaticanista Thomas Reese afirma que o papa Francisco já deixou claro, em dois anos de pontificado, que busca e defende um novo estilo de atuação para a Igreja Católica. Um estilo mais pastoral e aberto, com uma nova escala de prioridades, enraizadas no Evangelho. Apesar da insistência do pontífice na mudança e dos elogios que recebe, pouca coisa, porém, tem mudado na Igreja.

Segundo o vaticanista, isso ocorre porque a Igreja não se resume ao papa. “A menos que bispos, padres e leigos sigam o seu exemplo e adotem suas prioridades, não ocorrerá uma mudança permanente”, afirma. “Nós precisamos parar de admirar o papa e começar a imitá-lo.”

Reese é padre jesuíta – a mesma congregação religiosa do papa Francisco – e autor do livro O Vaticano por Dentro: A Política e a Organização da Igreja Católica, lançado no Brasil pela Edusc. Trata-se de uma excelente análise, de tom jornalístico, da burocracia e as estruturas da Santa Sé.

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No artigo, o especialista lembra um encontro que o papa teve com os bispos brasileiros durante a visita que fez ao País em 2013. Lembra particularmente o trecho do discurso, feito no Rio, em que o líder religioso comenta a perda de fiéis e o crescimento de outras religiões. O papa não critica nem ataca os fiéis. Ele pergunta aos bispos, no entanto, o que a Igreja tem feito de errado?

“Será que a Igreja está lhes parecendo demasiado frágil?”, indaga. “Talvez ela pareça demasiado longe de suas necessidades”, continua. Talvez “fria”. Talvez prisioneira de fórmulas rígidas. Fórmulas voltadas exclusivamente para dentro da Igreja e não para o mundo ao seu redor. Será, pergunta finalmente o papa argentino, “que o mundo fez da Igreja uma relíquia do passado, insuficiente para as novas questões”?

É preciso mudar, conclui Francisco diante dos bispos brasileiros. “Faz falta uma Igreja que não tenha medo de entrar na noite deles”, afirma. “Precisamos de uma Igreja capaz de encontrá-los no seu caminho. Precisamos de uma Igreja capaz de inserir-se na sua conversa.”

O papa já deixou claro qual é sua visão da Igreja, repete Reese em vários momento do artigo. O Evangelho, de acordo com essa visão, deve ser pregado sobretudo por meio de ações. Não bastam as palavras. Durante uma de suas pregações, Francisco já disse: “Preguem sempre o Evangelho, usem palavras quando for necessário”.

O articulista ressalta ainda a opção do papa por uma Igreja mais pobre, envolvida com questões de justiça social, paz e proteção do meio ambiente.

Chama a atenção no artigo a ênfase que o vaticanista dá à questão do forte peso do clericalismo. Liderança na Igreja Católica, diz ele, repetindo o pensamento do pontífice, significa sobretudo servir. Não se de trata de poder e prestígio.

“Ele tem deixado claro que deseja os bispos e padres mais perto do seu povo, tão perto que sejam pastores com cheiro de ovelhas”, diz.

A mudança, segundo Reese, teria que atingir também os seminários, onde estão sendo formados os futuros padres e bispos.

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A íntegra do artigo, em inglês, pode ser lida no site da National Catholic Report

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