Na reta final, PT conclama militância, como nos velhos tempos
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Na reta final, PT conclama militância, como nos velhos tempos

Roldão Arruda

03 de outubro de 2012 | 20h20

Além de tornar público o apoio de grupos de intelectuais à candidatura de Fernando Haddad (PT), o ato realizado pela sua campanha na noite de terça-feira,2, foi uma tentativa de sensibilização da militância petista. Ao longo das quase três horas de duração do evento, no Hotel Jaraguá, diferentes oradores ressaltaram que, nesta reta final, com pesquisas de intenção de voto mostrando empates técnicos, quem pode fazer a diferença são os militantes.

A ministra e ex-prefeita Marta Suplicy conclamou os presentes a falarem com as tias, os vizinhos, os amigos, pedindo votos para Haddad. “Vocês são formadores de opinião”, disse, dirigindo-se à platéia com representantes de juristas, arquitetos, professores, historiadores, atores, economistas, estudantes e outros grupos. “Vocês têm poder e esse poder tem que ir para as ruas. Vocês têm cinco dias.

“Vamos sair daqui e trabalhar nesses cinco dias”, endossou o arquiteto Jorge Wilheim, ex-secretário de Planejamento de São Paulo. “Precisamos recuperar nossa garra, recuperar o que éramos”, pediu a urbanista Hermínia Maricato,  ex-secretária executiva do Ministério das Cidades.

 Última a falar, Haddad foi enfático: “Nesse momento, a militância vai fazer toda a diferença.”

Essa premissa era verdadeira anos atrás. O PT nasceu no meio dos movimentos sociais e sindicais e, no início de sua história, contou com uma militância aguerrida, voluntariosa e disposta a ir às ruas sempre que convocada – nas eleições ou fora delas.

O quadro mudou, porém, com o crescimento do partido e de sua máquina burocrática, juntamente com a feroz profissionalização do marketing eleitoral, entre outros fatores. A presença da militância tornou-se menos expressiva. Passou de protagonista a coadjuvante e, às vezes, figurante. Assim como os movimentos sociais, é conclamada sobretudo em momentos mais difíceis para o partido, como ocorreu no segundo semestre de 2005, quando a oposição ameaçou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o impeachment. A eleição em São Paulo é outro desses momentos.

O ato de terça-feira foi planejado com uma estrutura de apresentação, informal, que valorizou os apoiadores e não os caciques partidários. Estavam presentes Paul Singer, Dalmo Dallari, José Celso Martinez Corrêa, Raquel Rolnik, Margarida Genovois, José Miguel Wisnik, Ladislaw Dobor, Anita Freire, Roberto Schwarz, Maria Victoria Benevides, Fernando Morais e Vladimir Safatle, entre outros.

Resta saber agora de que forma a militância, lembrada na undécima hora, irá reagir.

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