Na Parada Gay, Alckmin e Haddad fizeram o dever de casa
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Na Parada Gay, Alckmin e Haddad fizeram o dever de casa

Roldão Arruda

03 Junho 2013 | 17h25

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) foram à abertura da 17.ª Parada do Orgulho LGBT, no domingo 2, e deram boas vindas aos participantes, em nome do Estado de São Paulo e da capital. Na entrevista coletiva que precedeu ao evento, os dois também defenderam a ideia de que nenhum cidadão pode ser discriminado e perseguido, seja por sua origem étnica, sexo, escolha religiosa ou orientação sexual.

“A injustiça cometida contra um cidadão é uma ameaça a toda sociedade”, disse Alckmin, ao falar sobre violências sofridas por homossexuais.  Haddad afirmou que a Parada é um evento que honra a cidade: “Este dia é significativo no combate a intolerância e a homofobia.”

Em países com democracias consolidadas e avançadas é isso que se espera de um governante. Eles não são eleitos, teoricamente, para representar esse ou aquele grupo, nem estimular a intolerância contra minorias. Sua tarefa é promover e garantir a defesa dos interesses de todos os cidadãos.

No Brasil, porém, a conjuntura social e política é outra. No momento em que alguns líderes religiosos, escorados em redes de TV e rádio, tentam chantagear candidatos e governantes com os votos de seus seguidores, como se grupos cristãos não passassem de currais eleitorais, vale a pena realçar a atitude republicana de Alckmin e de Haddad.

Os dois foram à Parada sabendo dos riscos que correm. Minutos após a entrevista coletiva, alguns sites evangélicos pinçaram uma frase de Haddad sobre grupos perseguidos ao longo da história, na qual teria comparado os cristãos aos gays, e produziram manchetes com ela.

 

Pelo destaque dado à comparação, devem tê-la achado ofensiva. A frase foi essa: “Assim como os homossexuais, os judeus, os cristãos, os negros e as mulheres já tiveram que defender seus direitos ao longo da história.”

Após a coletiva, o prefeito subiu num trio elétrico e participou da abertura da Parada – coisa que nenhum prefeito fazia desde que a atual ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT), deixou a Prefeitura no dia 1.° de janeiro de 2005.

Alckmin destacou que a tradição paulista é de tolerância. “Em 2001, fomos o primeiro Estado brasileiro a criminalizar a homofobia”, lembrou, referindo-se à Lei 10.948/2001, que pune a discriminação. Ele também assinalou que o Estado foi pioneiro na regulamentação da Conselho Nacional da Justiça que trata do casamento civil igualitário.

No feriado da quinta-feira, 30, Alckmin e Haddad já haviam passado pelo Vale do Anhangabaú, onde acontecia a feira LGBT que precede a parada. O prefeito foi chamado de “lindo” em diversos momentos de sua caminhada. Alckmin visitou a abertura de uma exposição de fotos no Museu da Diversidade.

Na Europa, os partidos políticos dão mais atenção às manifestações de defesa dos direitos civis. Em alguns países enviam representações oficiais às paradas gays, com caminhão, faixas, cartazes e tudo a que tem direito.

Os brasileiros estão chegando aos poucos. Dias atrás, no encerramento da convenção estadual do PSDB, em São Paulo, vários tucanos de alta plumagem iniciaram seu discurso saudando as mulheres, os sindicalistas, os negros. O único entre eles que mencionou também o núcleo do partido que se dedica à questão da diversidade, foi o presidente eleito do diretório estadual, deputado federal Duarte Nogueira. Ponto para ele. 

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