Ministro invoca Tibiriçá e jesuítas, para justificar Lula e Maluf
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Ministro invoca Tibiriçá e jesuítas, para justificar Lula e Maluf

Roldão Arruda

02 de julho de 2012 | 15h58

Estudem mais a história de São Paulo. É o que recomenda o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B), aos que não gostaram daquela foto em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece apertando a mão de Paulo Maluf (PP), quando tornaram público o acordo que fizeram para a eleição na capital paulista neste ano. Quem estudou, diz ele, sabe que a  maior cidade do País surgiu após um acordo improvável, entre os recém-chegados jesuítas e o chefe indígena que dominava a região.

“Aos críticos das alianças e dos acordos políticos, é bom lembrar que essa cidade de São Paulo, foi fundada por dois padres jesuítas que resolveram subir os contrafortes da Serra do Mar, desafiando a coroa portuguesa e o Vaticano e instalar aqui uma escola para crianças indígenas”, disse ele na convenção do diretório paulistano do PC do B, no sábado, 30. E prosseguiu: “Eles só puderam fazer a escola e se instalar em São Paulo em razão de um grande acordo político com o chefe dos índios guaianazes, Tibiriçá, que governava este planalto de São Paulo. Com esse acordo, ele acolheu a escola dos padres e protegeu-a contra o ataque de outras tribos indígenas. Sua filha Bartira casou-se com o português João Ramalho. O chefe indígena calculou ganhos e conquistas de sua tribo para aceitar a escola indígena. São Paulo tem essa origem e essa trajetória.”

 

Para Aldo, acordos como o de Tibiriçá e os jesuítas e de Maluf e Lula são marcados pela ousadia: “São Paulo foi o ponto de partida para o conhecimento e a presença nesse imenso território que é o Brasil. Foi a partir daqui que os índios e bandeirantes disputaram espaço com o império colonial espanhol, que descia dos Andes rumo ao Atlântico e que foi contido pelos índios tupis dessa região e pelos seus aliados, os bandeirantes.”

Essa é talvez a mais original das defesas do acordo entre Lula, que surgiu na política por meio das lutas sindicais no ABC Paulista, e Maluf, que integrou os quadros da Arena nos anos ditadura militar e foi governador biônico. Combina bem com o pensamento do ministro, estudioso da questão indígena (leia aqui uma longa entrevista dele ao Estado sobre o assunto) e defensor da integração dos índios à cultura nacional.

Rebelo foi um ferrenho opositor da proposta, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de retirada da população não indígena do território da Raposa-Serra do Sol, em Roraima. É um dos autores do projeto de lei, festejado pela bancada ruralista, que pretende retirar do Executivo a tarefa de demarcar terras indígenas no País, transferindo-a para o Congresso.

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