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Morre Martini, o papabile progressista, o avesso de Ratzinger

Roldão Arruda

31 de agosto de 2012 | 19h49

O cardeal Carlo Maria Martini, que morreu hoje, dia 31, aos 85, foi apontado como papabile durante anos. Jesuíta, imensamente popular e admirado como intelectual, era a grande esperança dos setores progressistas da Igreja Católica.

Embora tenha dito mais de uma vez que sua reputação de liberal era exagerada, sua prática apontava nessa direção. Nos anos 80 propôs que se estudasse a possibilidade de permitir às mulheres o acesso ao diaconato, algo que nem fazia parte da agenda de conversas da hierarquia católica. Em mais de uma ocasião referiu-se ao celibato sacerdotal como uma questão histórica, o que significa que poderia ser mudado.

Tornou-se arcebispo de Milão em 1980, no pontificado de João Paulo II, que também lhe conferiu o título de cardeal. Permaneceu no cargo durante 22 anos. Apesar de seu brilhantismo intelectual, não teve muito espaço na cúpula da Igreja. Nos debates internos, seu principal opositor era o cardeal alemão Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Os dois seguiam linhas opostas. Enquanto Martini estudava a ampliação do espaço para as mulheres, um dos receios de Ratzinger era a infiltração do feminismo nas ordens religiosas. Também não se entendiam a respeito do diálogo com a ciência e com outras religiões.

No livro Sua Santidade, sobre João Paulo II, os jornalistas Carl Bernstein e Marco Politi lembram que, certa vez, em entrevista à BBC, ao ser questionado sobre a restrição do sacramento da Eucaristia a pessoas divorciadas, Martini não escondeu seu desconforto. Tad Szulc, do The New York Times, que também escreveu sobre o Vaticano, referiu-se ao arcebispo de Milão como “um dos mais destacados intelectuais da Igreja”.

Martini sofria de Parkinson e estava recolhido numa instituição dos jesuítas na província italiana de Varese. De acordo com o Vaticano, na quinta-feira, ao saber que as condições de saúde do arcebispo emérito de Milão haviam piorado, Ratzinger, hoje papa Bento XVI, se recolheu em oração.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não deu muito destaque à morte do cardeal. Ao final da nota em que noticiou burocraticamente o fato, no meio de um boletim informativo, lembrou que o colégio cardinalício, responsável pela eleição do futuro papa, agora fica composto por 206 purpurados, dos quais 118 eleitores e 88 não eleitores.

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