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Marin usa site da CBF para se defender no caso Herzog

Roldão Arruda

13 de março de 2013 | 20h38

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, resolveu utilizar o site da instituição para se defender de uma acusação política contra ele. Quem acessa o site da CBF depara, na página de abertura, com a manchete: Desmascarando Uma Falsidade.

Trata-se do título de um editorial produzido para refutar as acusações de que Marin teria apoiado a ditadura militar quando era deputado estadual de São Paulo, ainda filiado à extinta Arena. De maneira mais específica, ele é acusado de envolvimento indireto com o caso do assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

Segundo o texto da CBF trata-se de uma “torpe campanha”, baseada em “mentiras e deturpação de fatos do passado”.

O assunto provoca polêmica desde que Marin assumiu o cargo, um ano atrás. Ganhou mais destaque, porém, a partir do dia 19 de fevereiro, quando começou a correr pela internet uma petição que exige sua destituição da presidência.

Até a tarde desta quarta-feira, 13, a petição já havia recebido apoio de 38 mil pessoas. O objetivo é coletar 50 mil assinatura antes de encaminhá-la à direção da CBF.

Ela faz referência ao caso Herzog – funcionário da TV Cultura  morto sob tortura, no dia 25 de outubro de 1975, nas dependências do Exército, em São Paulo.

Poucos antes, no dia 9 de outubro, Marin havia dito na Assembleia Legislativa que as autoridades deviam dar explicações sobre as denúncias de infiltração de comunistas na TV Cultura. Para Ivo Herzog, filho de Vladimir e organizador da petição, o discurso e a prisão estão interligados.

O editorial da CBF nega que Marin tenha discursado no dia 9. Afirma, com base em documentos oficiais, que ele fez apenas um aparte durante o discurso de um colega de partido, o deputado Wadih Helu.

Em seu pronunciamento, Helu afirmou que o jornalismo da Cultura estava dominado por pessoas que enalteciam “líderes de esquerda” e faziam “proselitismo do comunismo”. Em seu aparte, Marin cumprimentou o colega pela escolha do tema e cobrou esclarecimentos das autoridades. “Sem adentrar no mérito, causa-me estranheza quando os órgãos de imprensa do nosso Estado de há muito tempo vem levantando esse problema… e não verificamos pelo menos nenhuma palavra de esclarecimento”.

Ao tomar conhecimento da iniciativa da CBF, Ivo Herzog manifestou surpresa: “Há um ano a entidade vinha dizendo que não iria se manifestar sobre o assunto porque se tratava de uma questão particular, envolvendo o seu presidente. E agora? O que mudou?”

 

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