Luciana Genro foi a estrela em ato pela constituinte
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Luciana Genro foi a estrela em ato pela constituinte

A candidata do PSOL na eleição presidencial foi a personalidade mais festejada e aplaudida na manifestação de terça-feira, em defesa da constituinte para a reforma política. Ganhou palmas até quando criticou Dilma

Roldão Arruda

07 de novembro de 2014 | 00h05

Na campanha, no discurso da vitória e nas primeira entrevistas após a reeleição, a presidente Dilma Rousseff defendeu a convocação de uma assembleia constituinte exclusiva para a reforma política. Com tantos sinais, era de se esperar que seu partido, o PT, já tivesse abraçado a causa de maneira decidida. Não foi isso o que se viu, porém, na primeira manifestação em defesa da constituinte após as eleições, na terça-feira, 4, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Organizada por várias organizações, tendo à frente a Consulta Popular, muito próxima ao PT, a manifestação não contou com nenhuma grande estrela petista. Nenhum figurão.

Nas três horas de duração do ato público, a personalidade mais festejada foi Luciana Genro, a candidata do PSOL nas eleições presidenciais deste ano. Além de muitos cumprimentos e intermináveis selfies de fãs, ele fez o discurso mais aplaudido da noite. Foi interrompida por palmas até quando criticou a presidente reeleita.

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“Precisamos pressionar o governo”, conclamou Luciana. “Não podemos aceitar que a presidenta Dilma, no dia da sua vitória eleitoral, diga que quer um plebiscito e, no dia seguinte, ceda às pressões do PMDB, às pressões da direita”.

Ao justificar seu apoio à proposta de uma constituinte exclusiva para a reforma política, ela disse: “Não temos de fato uma democracia real no Brasil. Temos um sistema político onde o poder econômico é dominante, onde as grandes redes de TV, os grandes grupos de comunicação decidem quem é o candidato viável e quem não é. Com este Congresso que está aí não podemos esperar nada melhor. Por isso é muito importante esse movimento em defesa do plebiscito pela constituinte da reforma política. Para que tenhamos uma democracia real, precisamos de uma participação popular muito maior.”

Luciana fez referências às propostas de grupos de direita em defesa de um golpe militar. “Não vamos deixar a direita colocar o dedo em nossa cara”, afirmou. “E eles não vão colocar porque não tem força, apesar de toda apoio e todo dinheiro que têm.”

A crítica à manifestação realizada três dias antes, no mesmo local, na qual os participantes pediram o impeachment da presidente reeleita apareceu em todos os discursos da noite. Destacou-se acima de tudo o apoio de alguns dos participantes daquela manifestação a um novo golpe militar.

“No último sábado, neste mesmo local, ocorreu uma manifestação de conteúdo fascista, que pediu a volta da ditadura”, disse Patrícia Matos, representante da União Nacional dos Estudantes (UNE). “É preciso barrar esses fascistas que agora mostram a cara nas redes sociais. São eles que temem que o povo aprofunde a democracia”.

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Camisetas de integrantes da Central dos Movimentos Populares estampavam as seguintes frases: “Ditadura nunca mais. Pela radicalização da democracia. Reforma política já.”

A manifestação começou no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), por volta das 18 horas, e acabou na esquina das avenidas Paulista e Consolação, quase três horas depois. Os manifestantes marcharam, dançaram e cantaram debaixo de chuva.

Segundo cálculo do capitão da PM responsável pelas ações policiais no local, o ato reuniu 300 pessoas. Os organizadores calcularam 1.500. Jornalistas que encontrei falavam em 500.

Para explicar a ausência de estrelas petistas, os organizadores disseram que a terça-feira foi um dia de votações importantes no Congresso. Todos os deputados federais estavam mobilizados. A expectativa é de que eles compareçam nas próximas manifestações. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foi convidado.

Entre os petistas presentes destacava-se o deputado estadual Adriano Diogo. Presidente da Comissão Estadual da Verdade, que investiga graves violações de direitos humanos ocorridas em São Paulo nos anos da ditadura, ele sempre teve uma atuação parlamentar bastante próxima dos movimentos sociais e sindicais. Mas não conseguiu se reeleger em outubro.

Também estavam presentes o secretário de movimentos populares do PT, Bruno Elias, e Emídio de Souza, presidente do diretório estadual do partido.

Ao discursar, Elias disse que a constituinte exclusiva para a reforma política é apenas o começo, a abertura para outras lutas: “Temos a luta pela reforma agrária, pela reforma urbana, pela redução da jornada de trabalho, pela desmilitarização das polícias, pelos direitos da população LGBT, das mulheres, dos negros e trabalhadores deste País. Nós queremos mais plebiscitos, mais consultas populares.”

A Consulta Popular foi uma das organizações que montaram e levaram à frente o plebiscito simbólico realizado no dia 7 de setembro, no qual cerca de 7,5 milhões de pessoas votaram sobre a convocação ou não da constituinte. Conta com o apoio do Movimento dos Sem Terra (MST) e da Central dos Movimentos Populares, entre outras organizações.

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ERRATA.
1. Afirmei, em edição anterior deste post, que a Consulta Popular seria uma tendência no interior do PT. O correto é que, embora se trate de uma organização que atue alinhada com o PT, não constitui uma das suas tendências internas.
2. O ato contou com a participação de várias organizações, lideradas pela Consulta.

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