Lindbergh e o pastor Malafaia, cada dia mais próximos
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Lindbergh e o pastor Malafaia, cada dia mais próximos

Roldão Arruda

27 Dezembro 2013 | 15h50

O pregador Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, comemorou na semana passada a derrota dos gays no debate do Senado sobre o Projeto de Lei 122/2006. Para quem não sabe, trata-se da proposta de criminalizar a homofobia no País, da mesma forma que se criminaliza o racismo, o antissemitismo, o sexismo.

Assim como os gays, o pregador sabia que os senadores, ao decidirem interromper a tramitação normal do projeto, para apensá-lo ao debate sobre a reforma do Código Penal, estavam jogando para as calendas qualquer definição. Em outras palavras, promovendo seu funeral.

Na terça-feira, 17, assim que os senadores concluíram a votação, por volta das 21 horas, Malafaia postou a seguinte mensagem no Twitter: “PLC122 acaba de ser enterrado no Senado, a Deus seja a glória. Parabéns aos senadores Renan Calheiros, Magno Malta, Lindbergh Farias e outros.”

Poucos segundos depois acrescentou: “Podem xingar, estamos ahahaha plc122 já era ahahaah arrumem outra e esperem alguns anos ahahahaaha Deus rir do ímpio, imagina eu ahahahaha”.

A comemoração de Malafaia era previsível. Quem lê seus post e ouve o que diz sabe que se opõe a movimentos que reivindicam direitos civis para minorias sexuais. Eles são alvo frequente dos ataques do pastor em suas pregações (e também nas gargalhadas no Twitter).

A citação dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Magno Malta (PR-ES) também não surpreendeu. O primeiro é presidente do Senado e conduziu a votação; o segundo é pastor, próximo a Malafaia.

O que vale a pena ser destacado é a a citação específica do senador Lindbergh, filiado ao PT do Rio. Seu nome foi pinçado de uma lista de 29 senadores que votaram pelo apensamento do PLC 122 ao Projeto de Lei 236, o que trata da reforma do Código Penal.

Não foi uma escolha aleatória. Lindbergh anda cada vez mais próximo de Malafaia e foi o único senador petista a votar pelo apensamento. 

Quando ele votou, o senador Eduardo Suplicy (SP), que estava na liderança política do PT, havia acabado de orientar a bancada. Disse que era para se opor ao requerimento apresentado pelo senador Eduardo Lopes (PRB-RJ), com a proposta de apensamento.

Se o requerimento fosse rejeitado, o debate do PLC 122 continuaria com trajetória própria. O próximo passo seria a votação do relatório, produzido pelo senador Paulo Paim (PT-RS), favorável à criminalização.

Lindbergh ignorou a orientação e votou a favor de Lopes, senador saído dos quadros da Igreja Universal do Reino de Deus. Deu sequência assim à serie de movimentos que tem feito para se aproximar de Malafaia e outros evangélicos, em busca de apoio à sua provável candidatura ao governo do Rio em 2014.

Em abril do ano passado, no plenário do Senado, Lindbergh saiu em defesa de Malafaia e criticou o Ministério Público Federal em São Paulo, por ter acatado representação do setorial LGBT de seu próprio partido, o PT, contra o pregador. Na ação, o setorial petista pedia retratação de um discurso considerado homofóbico, proferido por Malafaia no programa Vitória em Cristo, na TV Bandeirantes.

No dia 13 de outubro deste ano, Lindbergh foi ao templo da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no bairro da Penha, no Rio. Na ocasião, o pregador chamou o petista ao púlpito e pediu orações para ele.

Criticado pela direção do partido no Rio, o senador foi rápido na resposta: “O candidato a governador sou eu e ninguém vai me afastar do pastor Silas.”

Não foi só o PT carioca que criticou. Logo após o culto, a Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro (PRE-RJ) entrou com uma representação contra o senador e o pastor. Os dois estão sendo acusados de propaganda eleitoral antecipada.

Lindbergh é, provavelmente, o político petista que mais escancara sua busca de apoio eleitoral no meio evangélico, o que é explicável, considerando que eles constituem a maioria da população do Estado do Rio. Não é o único, porém.

Cada vez mais seu partido, o PT, adota um discurso contraditório em relação aos gays. Apoia os movimentos por direitos civis em declarações oficiais e documentos partidários, mas, na prática,  se distancia deles.

Na votação do Senado que enterrou o PLC 122, dos 12 senadores que compõem a bancada petista, apenas 6 compareceram. O líder político, Wellington Dias, do Piauí, católico conservador, ligado à Renovação Carismática Católica, cujos representantes no Congresso se alinham com os evangélicos, foi um dos ausentes.

Dos petistas que compareceram, um se absteve, um votou a favor da proposta do senador evangélico e quatro seguiram a orientação do senador Suplicy.

Só para saber: o PSDB, seguindo orientação de seu líder, senador Aloysio Nunes (SP), votou em bloco pelo apensamento proposto pelo representante da Igreja Universal.

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