Ivo Herzog: indignado com presença de Marin na CBF
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Ivo Herzog: indignado com presença de Marin na CBF

Roldão Arruda

24 de janeiro de 2013 | 21h52

Ivo Herzog, presidente do Instituto Vladimir Herzog, está inconformado e indignado com o fato de o ex-governador José Maria Marin (PTB) continuar à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador para a Copa do Mundo.

“Há coisas que nos deixam indignado. O presidente da CBF fez campanha contra a direção da TV Cultura, o que resultou na morte do meu pai”, disse durante entrevista coletiva, na terça-feira, 22.

O tema da entrevista era outro. Falava-se da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, que aceitou oficialmente o pedido da família para investigar as causas e as responsabilidades no caso Vladimir Herzog, jornalista da TV Cultura, assassinado em 1975, na ditadura militar.

Assim que lhe passaram a palavra, Ivo atacou o presidente da CBF. “O maior representante da coisa mais importante que vai acontecer no Brasil do ponto de vista internacional é esse cara, que foi a favor da prisão, tortura e morte daquelas pessoas que simplesmente pensavam de maneira diferente dele e de seus colegas”, afirmou. “Eu e você sustentamos isso na hora em que pagamos nossos impostos.”

Segundo Ivo, a sociedade precisa conhecer os fatos. “Se essas pessoas não podem ser presas porque já estão velhinhas ou por conta da Lei da Anistia, nada impede que a sociedade saiba quem são e qual o papel que tiveram, para que possa fazer, no mínimo, uma condenação moral.”

Mais adiante, perguntou: “Quanto o Brasil está gastando para financiar o maior evento esportivo de sua história? E quem vai ser o embaixador do Brasil nesse evento?” E respondeu: “O anfitrião será um fruto a ditadura, que se fez a partir da ditadura, assim como o Paulo Maluf. São pessoas que se fizeram jantando e confraternizando com aqueles que estavam matando e torturando.”

A base da crítica do presidente do Instituto Herzog são pronunciamentos que Marin fez quando era deputado, filiado à Arena – o partido de sustentação da ditadura.

Não é uma denúncia nova. Em junho, o jornalista Juca Kfoury escreveu em seu blog que, a partir de seus discursos na Assembléia de Legislativa de São Paulo, em 1975,  Marin foi responsável pela prisão que acabou no assassinato do jornalista.

 “O então deputado Marin se desfazia em elogios ao torturador Sérgio Paranhos Fleury e ao seu bando, assim como engrossava ‘denúncias’ sobre a existência de comunistas na TV Cultura, cujo jornalismo era dirigido por Vlado”, assinalou.

E mais: “Um desses discursos, no dia 9 de outubro de 1975, aconteceu 16 dias antes de Herzog ser torturado e morto nas dependências da Operação Bandeirantes (OBAN), na rua Tutóia, em São Paulo, por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI).”

Em dezembro houve uma manifestação diante da residência de Marin, em São Paulo, para lembrar sua atuação nos anos da ditadura.

Procurado por este blog, o presidente da CBF respondeu, por meio de seu assessor, que não pretende se manifestar mais sobre o assunto. Em entrevistas anteriores, já disse que tudo não passa de intriga e que estariam invocando coisas do passado para atacar sua atuação na CBF.

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