Índios pedem união do Brasil e da Venezuela contra garimpo
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Índios pedem união do Brasil e da Venezuela contra garimpo

Roldão Arruda

26 de setembro de 2012 | 18h05

A organização Horonami, que representa os índios yanomami da Venezuela, emitiu ontem (25) nota oficial sobre a questão da invasão de suas terras por garimpeiros brasileiros. Ela informa que a situação na região é gravíssima, embora não existam indícios, até agora, que confirmem o suposto massacre de indígenas, que teria ocorrido no mês passado no município de Alto Ocamo, na fronteira com o Brasil.

Segundo o texto, o garimpo tem sido um permanente foco de tensões e conflitos.  “Existe um grande número de garimpeiros ilegais acampados há anos na zona de Alto Ocamo, provenientes do Brasil”, diz a organização.

A solução para a redução dos conflitos, sugere, seria a união entre os governos do Brasil e da Venezuela para a expulsão dos garimpeiros: “É necessário insistir sobre a necessidade de se adotar medidas permanentes e coordenadas entre Brasil e Venezuela para controlar a presença danosa e massiva de garimpeiros ilegais que há vários anos ingressam na Venezuela, nosso país, a partir do Brasil, representando grave ameaça à integridade e à vida do povo yanomami.”

No dia 28 de agosto, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiam) denunciou um suposto massacre, por garimpeiros brasileiros, nas cabeceiras do Rio Ocamo, no lado venezuelano da fronteira com o Brasil. Teriam sido mortos cerca de oitenta indígenas, segundo a denúncia.

A organização Horonami diz que, após percorrer a região durante cinco dias, participando de uma comissão formada pelo governo venezuelano, não encontrou indícios do massacre. Pede, no entanto, que se abram investigações sobre a presença e os impactos da mineração ilegal. “Nós, que estivemos na comissão, vimos acampamentos de garimpeiros ilegais, vimos passar um avião, vimos uma pista clandestina, vimos garimpeiros fugindo da comissão que caminhava pela selva.”

“Embora não tenha se confirmado a informação sobre a ocorrência das violências, a enorme presença de garimpeiros ilegais na região há vários anos resulta em conflitos constantes entre os yanomami e os garimpeiros”, prossegue a nota. “São estes conflitos que podem estar na origem das informações sobre massacres e abusos de todo tipo. Não podemos descartar, no atual momento da investigação, que mortes, violações, ameaças e outros tipos de abuso contra os yanomami não estejam ocorrendo nas áreas visitadas.”

Quem quiser saber mais sobre a nota e as repercussões do caso pode consultar o site do Instituto Socioambiental, que publicou uma matéria sobre o assunto.

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