Índios ocupam marco histórico de São Paulo para cobrar demarcação de terras
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Índios ocupam marco histórico de São Paulo para cobrar demarcação de terras

Roldão Arruda

16 de abril de 2014 | 21h02

Um grupo de índios guaranis ocupou na tarde desta quarta-feira (17), a área interna do Museu Anchieta, localizado no Pátio do Colégio e considerado o marco fundador da cidade de São Paulo. Eles vão permanecer no local até manhã (18), quando lançam uma campanha para a ampliação das áreas que ocupam no território paulistano.

Segundo um dos líderes do movimento, David Martins, também conhecido pelo nome indígena Karaí Potygua, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tem ignorado sucessivos apelos dos índios. “A Funai já reconheceu as áreas originalmente ocupadas pelos guaranis. Mas o ministro não assina as portarias que confirmam o reconhecimento.”

Na ocupação, os guaranis distribuíram um manifesto no qual explicam que a interrupção temporária das atividades do museu dedicado ao padre José de Anchieta, recentemente canonizado pelo papa Francisco, “foi a forma encontrada pelos habitantes originários de São Paulo para cobrar do Ministério da Justiça a emissão das portarias declaratórias que garantem a demarcação das terras”.

As áreas reivindicadas estão localizadas ao redor das aldeias em que os guaranis vivem atualmente, no extremo sul da cidade, na Terra Indígena Tenondé Porá, e na zona oeste, na Terra Jaraguá. Esta última é a menor terra indígena já demarcada no País, com 1,7 hectare. Os guaranis querem que o ministro reconheça outros 500 hectares.

No caso da Tenondé Porá, com cerca de 50 hectares, os índios reivindicam 16 mil hectares. A maior parte dessa área está localizada dentro de uma zona de preservação ambiental. “É o pouco que sobrou em São Paulo da Mata Atlântica e que está sendo destruído pela especulação imobiliária”, diz Karaí Potygua. “Nós queremos preservar essa área.”

Ainda segundo o representante indígena, as terras atualmente ocupadas por cerca de dois mil índios foram demarcadas antes da Constituição de 1988. “Os direitos indígenas eram muito reduzidos naquela época, quando a única preocupação era a integração dos índios. Com a Constituição, porém, passou-se a reconhecer os nossos direitos à preservação da cultura, língua, costumes originais. Para isso, porém, é preciso contar com territórios apropriados.”

A campanha Resistência Guarani será lançada às 16h, em frente ao Pátio do Colégio.

Para quem quiser manifestar apoio à causa, pode assinar na internet a petição que exige do Ministério da Justiça a demarcação das terras.

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