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Índios do Maranhão relatam drama da saúde a procuradores

Roldão Arruda

01 de agosto de 2013 | 22h37

O Ministério Público Federal no Maranhão recebeu nesta quinta-feira, 1, cerca de 400 índios de várias etnias vindos do interior do estado, para tratar de questões ligadas à saúde. O Secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves de Sousa, foi convidado para participar mas não compareceu. Segundo a assessoria do MPF, ele questionou as condições de segurança para a realização do evento. (O secretário foi sequestrado por um grupo de índios, no mês passado, ao visitar uma aldeia naquele Estado.)

Ao relatarem os problemas que enfrentam, os índios citaram a falta de remédios e as péssimas condições de trabalho nos locais de assistência médica. “Nós estamos aqui pedindo que vocês ajudem a gente”, afirmou uma das lideranças indígenas segundo relato da assessoria de imprensa do MPF. “São índios de todo o Estado que nos últimos anos sofrem com dificuldades de transporte, alimentação e funcionamento das casas de saúde.”

Os procuradores prometeram levar as reivindicações dos grupos indígenas às autoridades competentes do Ministério da Saúde. Diante da gravidade do quadro apresentado por eles, não se descarta a possibilidade de ações na Justiça Federal.

De acordo com informações dos índios Guajajara, divulgadas pela seção maranhense do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), neste ano morreram 12 crianças em suas aldeias. Em todos os casos não teria havido atendimento médico adequado no Polo Base de Saúde do município de Amarante do Maranhão, onde estão situadas as aldeias dos guajajara.

Em nota divulgada no dia 20, o Cimi do Maranhão afirmou que os índios vem denunciando há seis meses os problemas, sem nenhum atendimento por parte da Secretaria Especial de Saúde Indígena.

Logo em seguida a secretaria divulgou uma resposta oficial, na qual reconheceu “que ainda há muito a ser feito”, mas que também não se pode ignorar os avanços já obtidos. “Até 2015, grande parte da rede física dos estabelecimentos do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena terá passado por reformas, ampliações e adequação física”, disse a nota de esclarecimento. O texto também destacou o aumento de 50% na quantidade de profissionais dedicados à saúde indígena e investimentos de R$ 4,8 milhões na aquisição de barcos e motores de popa para os centros de assistência na Amazônia Legal.

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