História não oficial registra afastamento de dez papas
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História não oficial registra afastamento de dez papas

Roldão Arruda

11 de fevereiro de 2013 | 21h10

No dia 4 de julho de 1415, após nove meses de pontificado, o papa Gregório XII renunciou. Com 78 anos, afastou-se por pressão do Concílio de Constança. Acreditava-se que sua renúncia ajudaria a por um ponto final no cisma que levou à separação da Igreja Oriental.

Após o afastamento, Gregório deixou Roma e assumiu o cargo de bispo do Porto, onde morreu logo depois, aos 80 anos, de acordo com informações do livro Léxico dos Papas, de Rudolf Fischer-Wollpert, editado no Brasil pela Vozes.

Essa é a renúncia que tem sido lembrada diante do anúncio de Bento XVI de que vai deixar o cargo – uma vez que depois de Gregório XII ninguém mais renunciou. Existem, no entanto, outros casos de pontífices que não ficaram até o fim da vida no cargo. Não fazem parte da história oficial por falta de evidências históricas suficientes.

Os afastamentos anteriores ocorreram em meio a a perseguições contra os cristãos e intermináveis conflitos internos. Era comum a existência de mais de um papa ao mesmo tempo: os papas e os antipapas. Um dos casos mais escandalosos das histórias de renúncias é o do pontífice que vendeu o cargo para um afilhado.

A lista não oficial dos historiadores é a seguinte:

1. Clemente  I (92-101) – Quarto escolhido na linha sucessória de Pedro, acredita-se que chegou ao cargo duas vezes. Na primeira, no ano 64, renunciou em favor do papa Lino, para evitar disputas internas

2. Ponciano (230-235) – Banido pelo imperador Maximiano, que perseguia os cristãos, foi enviado para trabalhos forçados na Sicília. Renunciou para permitir a escolha do sucessor

3. Ciríaco. O nome mais controverso da lista. Não consta de nenhuma relação oficial de pontífices e pode ter sido invenção dos fiéis da Idade Média. Dizia-se que teria renunciado por ordem direta de Deus

4. Marcelino (296-304). Não se sabe ao certo se renunciou ou foi deposto. Pesava contra ele a acusação de ter abandonado a fé e apoiado o imperador Diocleciano, que oferecia sacrifícios a deuses pagãos

5. Martinho I (649-655) – Assumiu sem autorização do imperador e foi preso e deportado para a Rússia. O clero romano elegeu um sucessor e ele renunciou para evitar a existência de dois pontífices

6. Bento V (64) – Governou a Igreja pelo período de um mês, entre 22 de maio e 23 de junho de 964. Foi deposto pelo imperador Otão 1 e exilado na Alemanha, onde morreu dois anos depois

7. Bento IX (1032-1045) – Um dos papas mais detestados pelos romanos, por sua devassidão. Vendeu a cátedra papal a um afilhado, que assumiu com o nome de Gregório

8. Gregório VI (1406-1415).  Deposto do cargo durante um sínodo, sob a acusação de simonia – que é a venda de coisas sagradas.

9. Celestino V (1294) – Beneditino, tinha 80 anos e vivia como eremita quando o elegeram. Seis meses depois, foi pressionado pelos cardeais a renunciar. Seu sucessor mandou prendê-lo. Morreu na prisão

10. Gregório XII. Sua renúncia foi a última registrada pela história. Isso significa que Bento XVI rompeu uma tradição que perdurava há quase 400 anos

(Além de Léxico dos Papas, as informações acima foram obtidas a partir de uma lista divulgado pelo padre americano Thomas Reese, jesuíta especialista em assuntos dos Vaticano. Ele citou relatos de historiadores, entre os quais Patrick Granfiel, autor do livro Papal Resignation.)

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