Gurgel participa de lançamento do Brasil Nunca Mais digital
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Gurgel participa de lançamento do Brasil Nunca Mais digital

Roldão Arruda

31 de julho de 2013 | 20h04

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai participar do ato de lançamento da edição digital dos documentos do Brasil Nunca Mais, no próximo dia 9, em São Paulo. Sua presença foi anunciada pelos procuradores da 3.ª Região da Procuradoria-Geral, que organizam o evento. Também é esperada a atual coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha.

O site Brasil Nunca Mais Digit@l vai possibilitar o acesso a todo o material colhido no início dos anos 80 pela Arquidiocese de São Paulo e pelo Conselho Mundial de Igrejas sobre torturas nos anos da ditadura militar. São quase 900 mil páginas, que abrangem 710 processos julgados no Superior Tribunal Militar (STM), envolvendo opositores do regime.

O site trará, ainda, cópia integral dos arquivos do Conselho Mundial de Igrejas e da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, com revelações sobre os bastidores do projeto, considerado até hoje como uma audaciosa ação de resistência ao regime de exceção. Foi coordenado pelo cardeal Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, e pelo reverendo James Wright, com apoio financeiro de igrejas do exterior.

Em 1985, o material coletado nas auditorias militares deu origem ao livro Brasil: Nunca Mais. Publicado pela Editora Vozes, ele se tornou um sucesso de vendas, permanecendo durante meses na lista dos mais vendidos do País. 

O acervo digitalizado é composto essencialmente de cópias dos processos judiciais contra presos políticos. Eram copiados com a colaboração dos advogados que atuavam na defesa, no curto prazo de 24 horas de que dispunham para examiná-los foram do STM.

O material reunido, especialmente as páginas dos depoimentos prestados pelos presos, constitui um amplo e contundente documento de denúncia sobre as torturas e outras violações de direitos humanas praticadas naquele período, com os nomes dos agentes de Estado que as perpetravam. Entre os relatos registrados e resgatados na Justiça Militar encontra-se o da presidente Dilma Rousseff. Militante da organização de esquerda VAR-Palmares, ela foi presa e torturada em 1970.

O trabalho foi empreendido em sigilo, ao longo de seis anos. Temerosos de que a ditadura descobrisse a operação, os organizadores microfilmaram todos os documentos e despacharam os filmes para o exterior.

A versão digitalizada começou a ser produzida em 2011. É uma parceria de diversas entidades voltadas para a promoção dos direitos humanos: Ministério Público Federal, Armazém Memória, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Instituto de Políticas Relacionais, Conselho Mundial de Igrejas, Comissão Nacional da Verdade, Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Universidade de Campinas (Arquivo Edgard Leuenroth), Universidade Metodista de São Paulo, Center for Research Libraries, Arquivo Nacional e Rubens Naves, Santos Jr., Hesketh Escritórios Associados de Advocacia. O projeto também recebeu apoio do Superior Tribunal Militar e do Consulado Brasileiro em Chicago.

Acompanhe o blog pelo Twitter – @Roarruda

 

 

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