Governo está de olho na nova classe média rural
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Governo está de olho na nova classe média rural

Roldão Arruda

08 de janeiro de 2013 | 18h41

A Confederação Nacional dos Servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) voltou a cobrar do governo explicações sobre mudanças que estão sendo realizadas na estrutura do órgão. Segundo a entidade, estaria ocorrendo uma “desestruturação predatória do Instituto”.

A reação dos funcionários pode ter chegado tarde. As mudanças no Incra começaram a ser sinalizadas logo apos a posse da presidente Dilma Rousseff – e boa parte delas já está em andamento.

A reforma agrária deixou de ser tratada como um projeto autônomo, para se integrar a um plano maior de governo, de erradicação da miséria – meta anunciada pela presidente logo que tomou posse. Essa mudança se deve à grande concentração de miseráveis no meio rural, ou seja: qualquer plano de combate à miséria tem que dar atenção especial a essa população.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios (PNAD), o Brasil tinha 50 milhões de miseráveis em 1992. Apesar de contar com apenas 18% da população total, então em 145 milhões, o meio rural concentrava 28% dos pobres. Para cada dez pessoas que viviam no campo, seis encontravam-se abaixo da linha da pobreza. Nem os assentamentos da reforma escapavam dessa realidade.

O cenário mudou bastante de lá para cá. As políticas de transferência de renda, a valorização real do salário mínimo e das aposentadorias, marcas importantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, desempenharam um papel determinante nessa mudança.

De acordo com o estudo Superação da Pobreza e a Nova Classe Média no Campo, coordenado pelo pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, a queda no número de miseráveis e a ascensão de pessoas para a chamada nova classe média foi mais intensa no meio rural entre 2003 e 2009 do que nas regiões urbanas.

Verificou-se uma impressionante redução de quase 50% no número de pobres. A nova classe média, que abrangia 20,6% da população rural em 2003, saltou para 35,4% em 2009, com 9,1 milhões de pessoas. Esse crescimento acumulado de 71,8% desde 2003 equivale a 3,7 milhões de pessoas.

No mesmo período, a renda per capita média do brasileiro que vivia na área rural cresceu 6,1% ao ano em termos reais, enquanto o crescimento médio nacional era de 4,72%.

O livro com os resultados e as análises do estudo, lançado no final do ano passado, não sai da mesa do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas. Fica cada vez mais claro que o objetivo do governo é fortalecer e incentivar a ampliação dessa nova classe média rural – daí a contínua valorização da presença do Ministério do Desenvolvimento Social na articulação das políticas rurais.

O principal desafio é tornar esse crescimento sustentável. A mudança ocorrida deve-se quase exclusivamente à transferência de renda de programas oficiais. A valorização da renda do trabalho foi menor do que a média nacional.

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