Gigante democrático
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Gigante democrático

Roldão Arruda

29 de outubro de 2012 | 00h14

O Brasil não está se transformando apenas num gigante econômico, como se gosta de dizer por aí. As eleições municipais encerradas neste domingo, 28, atestaram, uma vez mais, que o País também pode virar um gigante democrático.

O colégio eleitoral brasileiro tem 138 milhões de eleitores – atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia – e elege prefeitos de todas as cidades há 27 anos, desde o fim da ditadura militar, em 1985. Nunca antes em sua história os brasileiros respiraram democracia por um período tão longo.

Mas não é só o tempo. A qualidade também melhorou. Entre 1945 e 1964, o segundo período democrático mais longo no Brasil, não se permitia o voto de analfabetos. Para se ter uma ideia da exclusão que esse impedimento causava, basta lembrar que em 1950 mais da metade dos brasileiros (50,5%) era composta por pessoas que não sabiam ler nem escrever.

Foram os constituintes de 1988 que permitiram o acesso da massa de analfabetos às urnas. Também foram eles que tornaram facultativo o voto para jovens de 16 e 17 anos (antes só era autorizado a partir dos 18).

Outro avanço importante foi o combate às fraudes. Ao contrário do que ocorria no Brasil do passado e continua a ocorrer em algumas democracias tradicionais, não se põe mais em dúvida a votação e a apuração dos votos.

Na cidade de São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, as urnas foram fechadas às 17 horas. Decorridos apenas 134 minutos, às 19h14m, já haviam sido contabilizados os votos dos 6.896.290 eleitores que exerceram seu direito ao voto, sem que se contestasse a lisura de qualquer parte do processo.

É claro que a essa altura alguns leitores já devem estar lembrando dos erros e problemas, como o peso do poder econômico nas eleições, o excesso de partidos, a superficialidade ideológica dos debates políticos, a incapacidade da democracia brasileira para promover uma efetiva redução na distância entre os mais ricos e os mais pobres, o crescente índice de abstenção (destacado pela presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Cármem Lúcia), entre outros. Mas a democracia é assim mesmo: se constrói aos poucos. E sempre. O processo nunca termina, como disse a esse repórter a cientista política Maria Celina D’Araújo, da PUC-RJ.

O que não se pode perder de vista é que os erros e os problemas estão mais relacionados a pessoas que à estrutura democrática. Quando se esquece disso e se começa a dizer que todos os políticos são iguais, que nada se salva, fica aberto o caminho para aventuras autoritárias, como a ocorrida no trágico dia 31 de março de 1964.

Até aqui, há muito mais a comemorar do que lamentar. Viva a democracia brasileira.

Acompanhe o blog pelo Twitter – @Roarruda

 

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